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Crystal Blue Persuasion
Guest
Eu tendo a ser completamente contra a ideia de despedir treinadores apenas por maus resultados e acho que isso pesa imenso na cabeça do AVB e vai evitar ao máximo tomar essa decisão.O wishful thinking do momento (contra mim escrevo) parece ser a ideia de que conseguimos continuar a vencer as equipas de nível mais baixo. Até agora, tirando uma ou outra exibição menos conseguida como a primeira parte medonha contra o Arouca, temos conseguido ultrapassar esses desafios com alguma tranquilidade. No entanto, a verdadeira preocupação surge quando analisamos como a equipa e o treinador vão lidar com a pressão gerada pela recente hecatombe e o impacto psicológico.
Jogos de nível elevado: um desastre
A realidade é que, em jogos de maior exigência, o desempenho tem sido desastroso. Exceção feita ao jogo da Supertaça, onde a atitude da equipa foi exemplar e mostrou uma garra (depois do 3-0, mesmo que o Debast tenha ajudado) que infelizmente tem vindo a desaparecer, os outros embates de nível elevado têm sido extremamente preocupantes.
Nos jogos de nível médio, o panorama também é pouco animador. A vitória contra o Vitória SC foi das poucas exibições relativamente tranquilas. Contra o Braga, a equipa sofreu imenso, e só conseguimos a vitória graças à estrelinha da sorte. Contra o Hoffenheim, mais uma vez a sorte foi determinante, e até no jogo de domingo, chegámos ao intervalo com um empate que não refletia a realidade de uma primeira parte onde fomos completamente dominados. O maior problema não é apenas a dificuldade em lidar com jogos difíceis – é não haver qualquer tentativa visível de corrigir os problemas. Pior ainda, ouvir declarações do treinador como "o jogo estava equilibrado" quando, na verdade, não estava, revela uma incapacidade gritante de ler o jogo e adaptar a equipa.
Lutar até ao fim: pode ser uma vitória moral e pouco mais
Se continuarmos nesta trajetória, lutar até ao fim e acabar em 3º lugar seria, na melhor das hipóteses, uma vitória moral. Mas, no final, o resultado prático será o mesmo da época passada: fora da Champions e com um desempenho abaixo da nossa história e exigência. Acabar em 3º lugar, somando derrotas nos jogos contra os rivais diretos então é uma humilhação grande. Neste momento, estamos numa situação onde não basta ganhar todos os jogos até ao final – teríamos ainda de recuperar uma diferença de golos negativa em relação aos dois rivais diretos para ter hipóteses de lutar pelo campeonato. Com o Regime embalado, é improvável que percam muitos pontos, como já se viu no passado.
As taças não serão fáceis
No panorama das taças, a exigência é alta. Para vencer a Taça da Liga, teremos de derrotar os Largatos, que, neste momento, têm processos táticos muito mais consolidados do que os nossos. A questão é: será que, em 9 jogos, a nossa equipa estará melhor ao ponto de os conseguir vencer? Ou vamos apostar na hipótese de que o rival regresse em má forma por ter alterado de treinador?
Na Taça de Portugal, a probabilidade de enfrentar pelo menos um dos grandes – seja o Braga, o Regime ou os Largatos – é quase uma certeza. Para se ganhar a Taça não podemos ir fazer as figuras que este batanete faz com a equipa nestes jogos.
Ganhar jogos contra equipas pequenas não é, e nunca será, suficiente para ser treinador do FC Porto. Essa exigência pode servir para clubes como o Braga ou o Vitória SC, mas não para nós. Ser treinador do FC Porto significa ter capacidade de vencer jogos grandes e lutar de igual para igual contra qualquer adversário.
Vergonha na Europa
A nossa campanha europeia tem sido uma desilusão total. Apenas conseguimos um empate (que soube a derrota) e uma vitória em casa, mas fora de casa acumulamos duas derrotas, contra o Bodo/Glimt e a Lazio – e esta última com a equipa italiana a jogar com segundas linhas. Esta prestação é inaceitável para um clube da dimensão do FC Porto. Vamos agora à Bélgica com expectativas tão baixas que um simples empate já seria motivo de celebração. Isto é um reflexo claro da confiança no trabalho do batanete.
Vítor Bruno não é solução
Tudo isto aponta para uma conclusão inevitável: Vítor Bruno não é solução para o FC Porto. A justificação da sua manutenção no cargo, mesmo que, por falta de alternativas no imediato, não está a resolver os problemas e apenas adia o inevitável.
Despedir o Vítor Bruno não significa, de forma alguma, que vamos passar a perder contra as equipas mais acessíveis. Pelo contrário, o mais provável é que o rendimento melhore, especialmente porque a equipa já demonstra ser capaz de vencer esses jogos mesmo com processos ainda longe do ideal. A questão aqui não é apenas ganhar ou perder contra adversários teoricamente mais fracos – trata-se de elevar o nível de jogo e consolidar processos que nos permitam ser mais consistentes em todas as competições.
Neste momento, vencemos a maioria desses jogos de nível mais "baixo". Contudo, o desempenho defensivo deixa muito a desejar. Os processos defensivos estão claramente por aperfeiçoar, o que se traduz em fragilidades que, em jogos mais complicados, têm sido fatais. Mesmo contra adversários de menor exigência, estas lacunas podem ser exploradas (Arouca 1ª parte), e quando enfrentamos equipas organizadas e determinadas, os problemas ficam mais evidentes.
Ao trazer um treinador com capacidade para melhorar os aspetos táticos e organizativos, a equipa pode não só manter a sua eficácia contra os "pequenos", como também elevar substancialmente o seu nível de jogo. Um modelo bem trabalhado defensivamente não só traz mais segurança, como também potencia outras áreas da equipa, permitindo uma construção mais fluida, uma pressão mais alta e eficaz e transições mais rápidas e coordenadas.
Além disso, uma equipa bem trabalhada joga com mais confiança e consistência. Temos saudade de ver o FC Porto começar a impor-se no jogo de forma controlada e dominante. Isso faz toda a diferença, especialmente quando a pressão aumenta ou quando surgem jogos com adversários mais complicados.
Portanto, despedir o Vítor Bruno não é sinónimo de perder terreno contra equipas menores! Muito pelo contrário: ao trazer alguém com capacidade para organizar melhor a equipa, aumentam-se as probabilidades de continuar a vencer os jogos acessíveis com ainda maior tranquilidade e, mais importante, de melhorar substancialmente o desempenho em jogos de maior exigência.
O problema é que não são os resultados que me fazem ter uma opinião negativa do Vítor Bruno, são as exibições que em jogos de nível médio/alto foram sempre piores do que o resultado ... e tivemos resultados bastante maus como este último.
Outro problema é que não se vislumbra nenhuma evolução na equipa desde o início da época e nestes últimos jogos até se vê o oposto. O rendimento dos próprios jogadores começa a ser afetado pelo coletivo.
Temo que o destino do Vítor Bruno já esteja traçado e só estejamos a perder tempo.
Se as coisas continuam assim será apenas uma questão de tempo até tropeçarmos contra uma equipa dita pequena. E depois, se o André tomar a decisão, prevejo que será o Vítor Bruno a não resistir à pressão e a ser ele próprio a pedir para sair, um pouco de forma análoga ao que aconteceu com Paulo Fonseca.

