Aboubakar foi imprevidente na decisão que tomou, mostrou alguma falta de tacto ao reunir-se com a equipa adversária do seu clube. Amigos sim, mas, naquele dia, também opositores que inclusive nos derrotaram antes ou depois do jogo, Aboubakar expôs-se à crítica. Babel não o ajudou, diga-se em abono da verdade, a negligência estendeu-se ao colega do camaronês, incapaz de discorrer que a divulgação do vídeo seria inapropriada e causaria problemas ao ex-companheiro de equipa. Não houvesse filme e nada disto se colocaria. Teria sido mais razoável uma visita logo após a chegada da equipa turca à Invicta, discreta, sem alvoroço mediático.
A meu ver não estamos perante nenhuma calamidade. No actual contexto, Aboubakar surge como o nosso melhor avançado, o melhor e um dos poucos que o plantel tem. Não podemos ser insensíveis às circunstâncias presentes, punir severamente o jogador seria castigar a própria equipa. Escasseiam alternativas. E o comportamento em si, não obstante incómodo, incorrecto até, se assim o avaliarmos, não é imperdoável (quanto a mim, claro), não é excessivamente grave. Não embarquemos em linchamentos irados. Considerando tudo, julgo que o melhor será, com grande dignidade e elevação, olhar para o lado e varrer o assunto para debaixo do tapete. Alguém que fale com o jogador e lhe mostre outra perspectiva.