"O cHegA nÃo é uM pArTidO dE ExTrEmA DiReiTa"
Nos finais de junho de 2023 foi publicado um insuspeito Relatório americano sobre grupos de ódio, o qual coloca o Chega ao lado de grupos neonazis. Com efeito, segundo o referido relatório do Projeto Global Contra o Ódio e Extremismo (GPHAAE), tanto o Chega com a sua juventude partidária são postas lado a lado de organizações como o Movimento Nacional Nacionalista, Hammerskins ou os Proud Boys. Esses grupos de extrema –direita radical são anti-imigração, nacionalistas brancos, anti-LGBTQ+, neonazis, antimulheres, anticiganos e conspirativos, desenvolvendo atividades que “menorizam, assediam ou inspiram violência contra pessoas com base nos seus traços de identidade”.
O Chega é caracterizado como um partido “anti-imigração, antimulheres, anti-LGBTQ+, anticiganos e conspirativo”. Por sua vez, no entender do GPAHE, a juventude do Chega apoia a “supremacia branca e a misoginia”, elogia o “regime salazarista” e defende o “fascismo”. Em suma, o Chega apresenta 5 características elementares: racismo, misoginia, homofobia, salazarismo e fascismo (considerando que o nazismo é a forma mais extremista do fascismo). É esta a matriz ideológica do Chega.
Para quem não sabe ou anda distraído (embora seja uma minoria, há quem seja convictamente racista, misógino, homofóbico, salazarista e ou fascista), vejamos a definição desses conceitos:
Racismo – consiste no preconceito e na discriminação social com base em diferenças biológicas entre pessoas e povos. Defende a existência de diferentes raças humanas, as quais devem ser consideradas superiores ou inferiores de acordo com determinadas características, habilidades ou qualidades comuns herdadas. Nesta perspetiva os elementos das diferentes raças devem ser tratados de forma distinta. O racismo foi a base política e ideológica da conquista europeia do continente americano, do processo de colonização de África, Ásia e Austrália e de diversos genocídios cometidos como o Holocausto.
São vários os exemplos de atitudes racistas por parte do Chega. Só para dar alguns: na sequência do assassinato com motivações racistas do jovem negro, Bruno Condé, em Moscavide, em 2020, o líder do Chega promoveu uma manifestação nacional com o lema “Portugal não é racista”, fazendo-se fotografar enquanto fazia a saudação nazi; durante a pandemia o Chega apresentou uma proposta para um confinamento especial para a comunidade cigana; André Ventura defendeu a deportação da deputada negra Joacine Katar Moreira para a Guiné-Bissau; defendeu os ataques racistas de que Moussa Marega, jogador do Futebol Clube do Porto, foi vítima; e o deputado foi condenado pelo tribunal, em 2021, a retratar-se publicamente por acusações difamatórias contra uma família de cidadãos negros residente no Bairro da Jamaica, no Seixal.
Misoginia – é a repulsa, desprezo ou ódio contra as mulheres e que se centra numa visão sexista, que coloca a mulher numa relação de subalternidade em relação ao homem. O desprezo ou ódio dirigido às mulheres está relacionado diretamente com a violência contra si praticada.
Um dos exemplos mais gritantes da misoginia do Chega foi quando no seu II Congresso, em Évora, um dos delegados apresentou uma moção, que foi derrotada, que propunha a remoção dos ovários das mulheres que recorressem à Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) no Serviço Nacional de Saúde.
Homofobia – é a aversão e a atitude negativa, geradora de violência, discriminatória ou preconceituosa em relação a pessoas homossexuais (atração pelo mesmo sexo ou género). Em 1998 a ativista e líder dos direitos civis, Coretta Scott king, declarou que “a homofobia é como o racismo, o anti-semitismo e outras formas de intolerância na medida em que procura desumanizar um grande número de pessoas, negar a sua humanidade, dignidade e personalidade”.
Embora André Ventura diga que defende o casamento entre pessoas do mesmo sexo (muito a custo) é conhecida a hostilidade do Chega aos elementos e comunidades LGBTIQ+.
Salazarismo – foi o regime ditatorial que existiu no nosso país, entre 1933 e 1974, sendo também conhecido como “Estado Novo”. O termo “salazarismo” deve-se ao ditador António de Oliveira Salazar que foi chefe do governo entre 1932 e 1968. O regime salazarista caracterizou-se pela imposição da censura, anticomunismo, perseguição aos opositores políticos e sindicais, grande concentração de poder nas mãos do líder, proibição de todos os partidos políticos, com exceção da União Nacional, imposição do corporativismo, defesa do colonialismo, exaltação dos valores tradicionais e dos ideais conservadores sob o lema “Deus, pátria e família”. O salazarismo adotou diversas características do fascismo italiano.
São bem conhecidas as simpatias que muitos dirigentes do Chega nutrem por Salazar e o seu regime anterior ao 25 de abril. Um desses dirigentes é o atual deputado e principal ideólogo do Chega, Diogo Pacheco Amorim, também um dirigente histórico da extrema-direita portuguesa, tendo pertencido ao Gabinete Político da organização terrorista Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), responsável por vários atentados a seguir ao 25 de Abril de 1974. Por outro lado, o Chega adotou o lema de Salazar e acrescentou-lhe o “trabalho”, no seu IV Congresso Nacional, em Viseu, em 2021: “Deus, pátria, família e trabalho”.
Fascismo – é uma ideologia política de extrema-direita ultranacionalista e autoritária e que assenta no poder ditatorial, repressão da oposição pela força e forte arregimentação da sociedade e da economia. Opõe-se à democracia eleitoral e à liberdade política e económica, ao marxismo, socialismo e comunismo. Surgiu na Itália nos inícios do século XX com a fundação do Partido Nacional Fascista por Benito Mussolini.
São conhecidas as ligações do Chega a partidos de extrema-direita de cariz fascista, encontrando-se filiado no partido europeu “identidade e Democracia”, do qual fazem parte a Liga de Matteo Salvini, Itália, o Reagrupamento Nacional de Marine Le Pen, França e o Alternativa para a Alemanha (AFD).