Em Madrid o problema é que obrigavam ao uso de máscara na rua mas permitiam os bares.
Eu no verão estive na galiza e era caricato na praia chatearem por não teres máscara e depois de noite olhavas para as esplanadas dos bares e estavam cheios.
Como referi claro que a obrigação de usar máscara na rua não vai resolver nada. Mas é um aspeto simbólico que vai obrigar as pessoas a reforçarem os cuidados que entretanto foram relaxando.
Se tivesse sido feito em Setembro ainda teria um efeito mais visível.
Mas tal como afirmaste, em Espanha, nem de forma simbólica serviu.
As pessoas têm que se mentalizar que isto era inevitável e o número de casos que temos é perfeitamente normal e vai continuar a subir nos próximos tempos. Todos os especialista alertaram para a 2ª vaga, como e quando iria acontecer. Eu não concordo minimamente estarmos a atribuir estes números ao comportamento das pessoas. Há coisas que são inevitáveis. O que é que iríamos fazer mais? Não abrir as escolas e provocar danos terríveis nas próximas gerações e criar ainda mais desigualdades? Limitar ainda mais a circulação das pessoas? Proibir as pessoas de irem a cafés ou restaurantes e criar mais desempregados e mais pobreza?
Logicamente que há pessoas com comportamentos erróneos, é impossível controlar, mas eu ando todos os dias pela cidade do Porto e vejo praticamente toda a gente com comportamentos responsáveis e a cumprirem as regras.
Estamos obcecados com o vírus que nos esquecemos da saúde como um todo. A saúde mental também afecta o sistema imunitário, se estamos mal psiciolgicamente, podemos estar mais susceptíveis a outro tipo de doenças.
As características muito particulares do vírus tornam ainda mais difícil toda a situação.
Não concordo que há uma relaxação dos comportamentos, estamos a viver algo inevitável fruto dum aumento brutal da mobilidade da população. Isto já não é responsabilidade das pessoas, isto já é responsabilidade dos Governos.
Em Março, pediram-nos para ficar em casa durante várias semanas para dar tempo ao SNS para se preparar, as pessoas ficaram em casa, milhares perderam empregos, muitos negócios foram por água abaixo. Todos sabíamos que viria uma 2ª vaga pior que a primeira, o Governo teve 6 meses para tomar medidas para preparar o aumento da mobilidade. Poderíamos ter reforçado os transportes públicos, o SNS, ter contratado mais profissionais de saúde, poderíamos até ter criado uma estratégia de articulação entre todos os hospitais públicos e privados, poderíamos ter definido hospitais apenas para covid e hospitais não convid para permitirmos uma maior e melhor resposta a situações de covid e situações não relacionadas com covid. O reforço do SNS foi extremamente limitado, os hospitais já se encontram sob uma pressão enorme e ainda não atingimos o pico da 2ª vaga.
O povo fez a sua parte, cumpriu com todas as medidas do governo, fomos dos países europeus que mais responsabilidade teve. Quem falhou foi o Governo, o dinheiro dos nossos impostos e os apoios que vamos receber da União Europeia chegavam perfeitamente para termos criado as condições necessárias no SNS para esta 2ª vaga, não o fizemos porque o Governo teve outras prioridades.