Eu avalio muito um treinador pelos princípios e organização defensiva.
Isto porque é essencialmente aí que se vê os efeitos do trabalho de um treinador.
Claro que podemos depois "pegar" na forma como sai a construir, como procura criar mas são, sobretudo, os aspectos que te mostram como a equipa é rigorosa nos comportamentos defensivos que me dizem que treinador está ali.
Note-se que esses nem têm de ser do meu agrado ou os que considero mais apropriados mas têm de estar presentes (por ex, o Porto do SC era muito forte na reação à perda, não permitia que o adversário tivesse tempo para pensar com bola e isso, muitas vezes, protegia a equipa defensivamente; outro ex, a linha defensiva do Sporting do RA parecia um relógio suiço; cheguei a vê-los fazer alguns exercícios de subir e defender a profundidade e era impressionante como estavam sincronizados; foi também isso que sempre constituiu a imagem de trabalho do JJ).
Foi por isso que VB me perdeu.
Voltando a Anselmi, ele expõe tremendamente a equipa a trasições e percebe-se que a zona defensiva não está articulada, não consegue ser rigorosa nos alinhamentos defensivos, revela imensas dificuldades em perceber quando deve subir e quando deve defender a profundidade e hoje o Estrela colocou a nu todas as nossas fragilidades colectivas em termos de organização defensiva.
Jamais alguém poderá achar normal que em 45 minutos uma equipa do fundo da tabela consiga colocar jogadores umas 4/5 vezes na cara do guarda redes do FCP (e na segunda parte mais uma).
A tragédia contra o nosso rival não aconteceu por acaso.
Hoje podíamos ter sido goleados outra vez.
Eu admitia que se criasse pouco, que o futebol não fosse muito entusiasmante pois a qualidade individual não abunda mas não posso aceitar que, depois de 3 meses de trabalho, o Porto continua a revelar uma organização defensiva horrível.
O porto de SC era forte na reação à perda com pressão subida, mas ultrapassada a linha de pressão era um problema para nós. E mais, muitas das vezes em bolas paradas ofensivas acabávamos a sofrer ou a ter problemas atrás. Esse sistema resultou até os adversários o estudarem e ultrapassarem a linha, o que faziam com mais jogadores na saída de bola ou com ataque à profundidade como fazerem os lagartos a época passada e, também, enquanto os jogadores estavam dispostos a isso, a correr até mais não e a bater bombo, num jogo de duelos e lutas, sem objectividade.
Tens agora o VP a jogar na Premier a dar masterclass de como se ataca e defende contra ataques posicionados ou na perda. Tanto é confortável a defender na retranca com linha de 5 como a defender subido. E com pouco tempo de trabalho, embora mais qualidade no plantel, mas defrontado equipas muito melhores do que no Tugão.
Anselmi não sabe o que faz ou, o que me parece, não sabe avaliar correctamente o que valem os adversários e o tem como matéria prima. Não estava nitidamente preparado para a intensidade e agressividade do jogo aqui. Jogar neste esquema com os 3 defesas que inventou e com FV a fazer de segundo médio é pedir para ser atropelado pelo meio campo de qualquer equipa do Tugão. E depois, como diria Mourinho, não tem jogadores com qualidade para descansar com bola. Jogamos de forma previsível e completamente inofensiva.
E estou convencido que mesmo com alguns jogadores fora, e alguns sequer deveriam ter calçado depois da cama feita a VB e o que deveria mandar a minar, e reforços a forma dele jogar de Anselmi não resulta no Tugão.
Aliás, VB espero que vejam agora e lhe façam justiça, tinha bem visto as debilidades da equipa: procurou sempre proteger o meio campo com 3 médios, sabia das debilidades de SAMU na ligação no jogo, daí Namaso, apostou em Mora quando viu que FV não queria nada com isto e que Pepê ainda pior, não queria nada e ainda estourava com a ideia de pressão. Contra as equipas pequenas escondia bem as debilidades. Foi corrido porque não houve tomates da Direção para o defender dentro do balneário ao longo do tempo, dos ataques ao caráter que sofreu e que se refletem lá dentro e minam a sua autoridade, e quando finalmente se expôs e meteu a boca no trombone decidiram que era melhor ficar do lado dos "míninos", dos sound bytes e fazer dele o bode espiatorio, até para piscar o olho a activos lá fora emprestados e valorizar outros. AVB foi à procura de ser popular em vez de ser pragmático. Apostou na vertente financeira também aqui. Entalou-se.
Agora iremos ver o que irá fazer.