Falou sobre convidar os jogadores a serem curiosos no jogo. Gostaria de saber se também os incentiva a serem curiosos sobre outras coisas na vida, noutros objetivos, especialmente quando era treinador de guarda-redes ou de equipas mais jovens...
Farioli;
"Se me perguntar se em termos de transmissão sou diferente do treinador que começou há 15 anos, diria que hoje tenho menos certezas. Naquela altura eu era muito arrogante. Tinha 21 anos e estava a ensinar um guarda-redes de 35 que jogava na Serie A; eu agia como se tivesse a verdade absoluta. Foi a minha forma de sobreviver e criar uma sensação de clareza. Hoje, procuro transferir coisas que não são apenas sobre futebol; é uma batalha diária. Num clube como o FC Porto, não é difícil encontrar motivação pela história do clube e pelo que ele representa. Mas acredito que falar apenas de futebol não é suficiente. É uma decisão arriscada porque às vezes nos expomos às nossas fragilidades e dúvidas. Ser líder não é ter tudo claro, é também questionar-se e questionar a qualidade da informação que passamos. Dou-vos um exemplo: tivemos um período de tensão no grupo e vivemos num mundo de conflitos. Usei um vídeo do Carl Sagan, "O Ponto Azul Claro" (Pale Blue Dot). A astronomia, a minha primeira paixão, tornou-se útil. Sagan diz que a astronomia é uma lição de humildade. Do ponto de vista da sonda Voyager, a Terra é tão pequena. E lá dentro estão todos os conflitos. Foi uma oportunidade para restabelecer o equilíbrio e trazer os jogadores de volta ao essencial."