O calcanhar de Madjer, o slalom de Futre, o golo de Juary, a palestra mais famosa de Artur Jorge e a taça que João Pinto se recusou a largar. Neste dia, em 1987, o FC Porto venceu o Bayern Munique e sagrou-se Campeão Europeu pela primeira vez - uma tarefa impossível aos olhos de muitos, mas não aos dos portistas, que mesmo privados de Lima Pereira, Jaime Pacheco e Gomes conseguiram dar a volta ao figurino em Viena.
O primeiro técnico português a conquistar uma prova internacional sentiu que estava no bom caminho no dia anterior, quando viu a imprensa germânica dar os Dragões como derrotados, e essa superioridade bávara até saiu reforçada ao minuto 24. Confrontado com a desvantagem, Artur Jorge falou ao coração dos jogadores: “Temos 45 minutos para fazer história. A história só fala dos vencedores. Divirtam-se e vamos dar a volta a isto”.
Dito e feito. Futre quase marcou numa jogada individual só ao alcance dos predestinados, mas quem resolveu foi outro génio de seu nome Rabah Madjer. Num espaço de dois minutos, o mago argelino assinou
aquele calcanhar que continua a arrepiar passados 38 anos e trocou as voltas à defesa alemã para oferecer o 2-1 a Juary. A missão mais difícil ainda estava para vir: tirar a orelhuda das mãos de João Pinto.