Claro, mas o Farioli não é o lagarto que se abria todo nas costas.
Vai ser um jogo tipo o do campeonato, mal vão passar do meio campo e nós tb não vamos arriscar feito tolinhos
Até porque este Carnide não se desmonta em volume, nem em posse prolongada, nem a carregar jogo por fora durante 90 minutos. Isso é exatamente o que eles querem. O Carnide do Zé vive confortável no controlo do espaço e no erro do adversário. Portanto, quem tenta dominá-los continuamente acaba por cair na armadilha.
Notei que eles apresentam enormes dificuldades em 2 ou 3 movimentos bem preparados.
Primeiro, atrair por dentro para matar por fora.
Não é abrir logo nos extremos. É circular por dentro, chamar os médios, fixar o bloco, obrigá-los a encurtar. Quando isso acontece, uma mudança rápida de flanco, bem temporizada, parte o bloco. O extremo não recebe aberto por sistema, recebe em vantagem, com o lateral atrasado e sem cobertura interior.
Segundo, isolar centrais fora da sua zona de conforto.
Eles são fortes em linha, em bloco e de frente para o jogo. O problema surge quando um central é obrigado a sair, a defender de lado ou a decidir sem cobertura. A chave está nas diagonais atacadas no timing certo, entre lateral e central, após atração de pressão a um dos lados. Não é correr mais, é decidir melhor. É aí que aparecem faltas, cartões, penáltis ou desorganização.
Terceiro, transição curta, não contra-ataque longo.
O erro clássico é achar que este Carnide se apanha em corridas longas. Eles estão preparados para isso. O que os mata é a transição curta, recuperação, passe vertical imediato, apoio frontal e ataque à última linha antes do bloco baixar. Dois ou três passes, rápidos e simples. Sem dar tempo à organização. O Zé aceita recuar metros, mas não aceita ser surpreendido no tempo da decisão. É aí que ele vai morrendo mais e mais, nesta fase da carreira.