Actualidade Internacional

wolfheart

Tribuna Presidencial
30 Novembro 2015
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Bragança
Independentemente do argumento, os africanos não foram colonizadores do Brasil.
A mim dá-me a risa, é ver brasileiros brancos, alguns académicos, por norma de esquerda, embora ache que seja transversal á ideologia, falar do colonizador, apontando para nós.
Mas será que essa gente não tem um espelho em casa, para ver que muito provavelmente eles são tetra netos ou tatara netos dos colonizadores originais ? Fdx, fui eu de Bragança a penantes colonizar aquilo ? Ou foram os antepassados diretos de quem está a acusar os outros ? Não têm um espelho para ver que não são índios ?
 

Vlk

Tribuna Presidencial
3 Junho 2014
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Lisboa
Eu sei... mas se o pessoal vem com esse argumento estapafúrdio, é uma maneira de os confrontar com a verdadeira realidade. Porque os verdadeiros nativos do Brasil continuam ser os mais oprimidos, apesar da independência já ter ocorrido há mais de 200 anos!
Se eles não têm culpa do que aconteceu no passado longínquo, eu também não tenho culpa do passado longínquo. O argumento "o nosso ouro" roça o bullying, mas enfim...
Se o pessoal quer ser extremo, e apesar da relação abusiva, esquecer as evoluções e desenvolvimento que também ocorreram por lá, e vir com a treta do "nosso ouro" - a maior parte até ficava investida localmente, penso que "só" 25% era enviado para Lisboa - então que se olhem ao espelho, e pensem que tem de dar lugar e adoptar os costumes dos reais nativos.
Claro, estava só a referir a questão dos negros.

Em relação ao resto acho que não deve haver reparações históricas materiais. Mas acho que a única reparação que devemos fazer é nos livros de História das nossas escolas. Mostrar tudo o que fizemos de bom e mau. E se esse distanciamento temporal que referes existe, isso só facilita assumir o holocausto que foi a escravatura e a servidão nas nossas colónias.
 

Vlk

Tribuna Presidencial
3 Junho 2014
16,845
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Lisboa
A mim dá-me a risa, é ver brasileiros brancos, alguns académicos, por norma de esquerda, embora ache que seja transversal á ideologia, falar do colonizador, apontando para nós.
Mas será que essa gente não tem um espelho em casa, para ver que muito provavelmente eles são tetra netos ou tatara netos dos colonizadores originais ? Fdx, fui eu de Bragança a penantes colonizar aquilo ? Ou foram os antepassados diretos de quem está a acusar os outros ? Não têm um espelho para ver que não são índios ?
Tal como acabei de escrever sou contra reparações materiais, mas entendo o argumento de outra forma (não fosse de esquerda). Não ao nível dos indivíduos mas ao nível dos países. Não falando de nenhum caso particular, mas genericamente os países colonizadores retiraram muitas riquezas dos países colonizados, isto é um facto. Outra coisa é o distanciamento temporal que obviamente inviabiliza qualquer forma de contabilização desse prejuízo.
 
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Vinha

Tribuna Presidencial
23 Abril 2016
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Claro, estava só a referir a questão dos negros.

Em relação ao resto acho que não deve haver reparações históricas materiais. Mas acho que a única reparação que devemos fazer é nos livros de História das nossas escolas. Mostrar tudo o que fizemos de bom e mau. E se esse distanciamento temporal que referes existe, isso só facilita assumir o holocausto que foi a escravatura e a servidão nas nossas colónias.
Sim, concordo. Outra correcção que se deveria fazer, é sobre as origens da escravatura e como o comércio era feito.
Apesar de todo o lavar da história portuguesa, e da ideia dos portugueses serem "um povo de bons costumes" - muito longe da verdade! -, no tempo em que andei na escola - anos 80/90 - ficava sempre a ideia que os portugueses e outros europeus iam para Africa "caçar" os nativos. O que apesar de também acontecer, estava longe de ser a maior fonte de escravos! Na maior parte, os povos europeus negociavam com os reinos locais, trocando os escravos desses reinos por bens de interesse desses mesmos reinos.
 
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Cheue

Cheue

12 Maio 2016
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Estao sempre a queixar-se da “cancel culture”. Depois boicotam um filme qualquer porque o pirata das Caraíbas não tem a cor certa e andam 10 anos a falar nisso das redes sociais. Coerência acima de tudo.
um tweets com 30 likes de uma rapariga qualquer a queixar-se que um filme porque não tem actores pretos é a prova da cultura woke

já carradas de vídeos com milhões de visualizações, páginas gigantes nas redes sociais chamadas end wokeness, páginas de "gamers" também dedicadas a ser anti-woke...isso é tudo normal - não é uma indústria de ragebait nem nada...

é tipo a 'ideologia de género', coisa que foi inventada pelos conservadores e que depois se queixam que os outros é que são obcecados com o que eles inventaram e passam a vida a falar e a atacar.
 

Dagerman

Tribuna
1 Abril 2015
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Tal como acabei de escrever sou contra reparações materiais, mas entendo o argumento de outra forma (não fosse de esquerda). Não ao nível dos indivíduos mas ao nível dos países. Não falando de nenhum caso particular, mas genericamente os países colonizadores retiraram muitas riquezas dos países colonizados, isto é um facto. Outra coisa é o distanciamento temporal que obviamente inviabiliza qualquer forma de contabilização desse prejuízo.
Os países colonizadores retiraram muitas riquezas dos países colonizados, e continuam a retirar.
Mesmo depois da independência dos países africanos, a partir dos anos 60, foi e continua a ser comum potências estrangeiras subornarem líderes políticos locais para conseguirem licenças de exploração e assim desviarem para a Europa ou EUA (ou a China hoje) as riquezas locais, cujo lucros, se houvesse justiça no mundo (mas não há nem nunca houve) devia ser distribuído pelos seus cidadãos.
É assim que em pleno século XXI países como Angola, a Nigéria ou a RD Congo têm uma elite bilionária, e a esmagadora maioria da população não tem acesso sequer a electricidade ou água potável.
 
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Edgar Siska

Presidente da Associação Ódio Eterno ao Panelas
9 Julho 2016
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Ao pé da praia
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Claro, estava só a referir a questão dos negros.

Em relação ao resto acho que não deve haver reparações históricas materiais. Mas acho que a única reparação que devemos fazer é nos livros de História das nossas escolas. Mostrar tudo o que fizemos de bom e mau. E se esse distanciamento temporal que referes existe, isso só facilita assumir o holocausto que foi a escravatura e a servidão nas nossas colónias.
O holocausto da escravatura tem de ser assumido então durante uns 95% da história da humanidade.
A pior parte da escravatura dos tempos coloniais é mesmo o facto da mesma visar o lucro, ou se ter transformado de uma instituição social aceite e usada desde a proto-antiguidade numa enterprise económica de grande estrutura.
Agora o tirar as pessoas da sua liberdade, da sua terra e as obrigar a trabalho forçado e a servir como uma besta de carga, isso foi humanamente escabroso desde sempre.
Aos olhos de hoje em dia claro está, após termos obtido iluminação da mente.
 
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Dragon Lonis

Bancada central
19 Julho 2006
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Eu sei... mas se o pessoal vem com esse argumento estapafúrdio, é uma maneira de os confrontar com a verdadeira realidade. Porque os verdadeiros nativos do Brasil continuam ser os mais oprimidos, apesar da independência já ter ocorrido há mais de 200 anos!
Se eles não têm culpa do que aconteceu no passado longínquo, eu também não tenho culpa do passado longínquo. O argumento "o nosso ouro" roça o bullying, mas enfim...
Se o pessoal quer ser extremo, e apesar da relação abusiva, esquecer as evoluções e desenvolvimento que também ocorreram por lá, e vir com a treta do "nosso ouro" - a maior parte até ficava investida localmente, penso que "só" 25% era enviado para Lisboa - então que se olhem ao espelho, e pensem que tem de dar lugar e adoptar os costumes dos reais nativos.
20%. A Coroa cobrava de imposto o quinto.
 
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Vlk

Tribuna Presidencial
3 Junho 2014
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Lisboa
O holocausto da escravatura tem de ser assumido então durante uns 95% da história da humanidade.
A pior parte da escravatura dos tempos coloniais é mesmo o facto da mesma visar o lucro, ou se ter transformado de uma instituição social aceite e usada desde a proto-antiguidade numa enterprise económica de grande estrutura.
Agora o tirar as pessoas da sua liberdade, da sua terra e as obrigar a trabalho forçado e a servir como uma besta de carga, isso foi humanamente escabroso desde sempre.
Aos olhos de hoje em dia claro está, após termos obtido iluminação da mente.
Certo, mas partindo do princípio que na escola se ďá mais ênfase à História de Portugal é natural que deva sobressair mais a "nossa" História da escravatura. É assumir, não tem mal nenhum, era cultural, era enquadrado na época e não fomos nós os atuais portugueses os responsáveis. O pior que podemos fazer e que nos comprometeria mais seria exatamente esconder ou relativizar.
 
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J | [Ka!s3r^].

Tribuna Presidencial
7 Abril 2012
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  • Alfredo Quintana
O que Portugal e o Ocidente ou, melhor definindo, os antigos colonizadores podem fazer pelas antigas colónias não se esgota em processos de reparação. Os fenómenos coloniais são suficientemente recentes para que exista algum vínculo de responsabilidade entre colonizadores e colonizados. Não falamos de realidades particularmente distantes no tempo. A responsabilidade será suficiente, diria, para favorecer relações de cooperação económica que beneficiem as antigas colónias. Que possibilitem desenvolvimento. ... o mal causado não cessou com as vagas de independência. Vários países africanos assumiram as dívidas contraídas pelos antigos colonizadores. Parte considerável dos países africanos gasta mais dinheiro em serviços de dívida do que com os próprios sistemas de saúde e de educação. Diversos programas de ajustamento do FMI impuseram medidas políticas que enfraqueceram as instituições e o próprio tecido económico dos países intervencionados. Ainda hoje as relações económicas e comerciais entre colonizadores e colonizados pressupõem os últimos como países de extracção de recursos (e centros de mão-de-obra barata), aos quais se acrescenta valor noutras economias.

Uma coisa será responsabilizar directamente os cidadãos por um passado no qual não participaram. Estapafúrdio. Outra será lavar por completo as mãos de décadas e de séculos de exploração humana, económica... sem procurar agora algum tipo de impacto positivo.
 
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