Opá, tens o Isaltino que esteve preso e voltou a ganhar eleições por larga maioria e agora é uma celebridade bon vivant praticamente intocável.
É complicado.
A mim que estou de fora e não estou muito atento ao Sanchez parece-me que também tem obra. E está encaixado numa sociedade hiper polarizada em que a direita conservadora é historicamente muito mais à direita do que a direita portuguesa (o PP é descendente directo do franquismo, o PSD é da ala liberal pós democracia) e que não terá qualquer problema em governar com o VOX.
A consequência disso é um governo do Sanchez (ou vários, vá) de facções quase antagónicas que se unem para manterem o chega lá do sitio fora do governo.
Voltando no teu exemplo, mil vezes um Lula do que um Bolsonaro. Mil vezes um Sânchez do que um Abascal.
Mas o Isaltino é um corrupto que de facto fez muita obra e mudou Oeiras. Nesse caso, nem é falta de alternativa: 80% das pessoas de Oeiras gostam imenso do homem e os outros 20% respeitam-no.
Lá está, aquilo que posso dizer do Sánchez surge de notícias, de testemunhos que reuni de vários espanhóis com quem falei (de esquerda e de direita, que inclusive votaram nele) e de fóruns. A impressão com que fiquei é que o homem não é grande coisa mesmo em termos de políticas substantivas, tem a mesma tendência para o reformismo que um Costa ou um Montenegro, com a agravante de ter mais escândalos que os dois juntos.
Falei com um grupo de espanhóis no outro dia que me disseram que votaram no Sánchez. Foi um festival de críticas, desde a idoneidade até à parte das políticas.
Depois perguntei em quem votariam nas próximas eleições, mantendo-se os líderes dos partidos tal como estão agora. Todos responderam Sánchez. Porquê? Porque consideram as alternativas piores ainda.
O Sánchez tem ganhado reputação por causa da política externa, mas é pura síndrome Macron: respeitado internacionalmente, mas muito frágil internamente.
Como bem disseste, os outros partidos também são horríveis. Pelo que percebi, o Feijoo é tipo um Passos de hoje em dia em questão de ideias, mas sem aquela "aura" que o careca possui. E, além disso, também tem os seus escândalos.
E sim, concordo contigo - mil vezes um Lula a um Bolsonaro, mil vezes um Sánchez a um Abascal.
Acrescento: mil vezes um Sócrates a um Ventura.
Contudo, o meu ponto não é esse. Aquilo que pretendo clarificar para os nossos outros colegas foristas
é que, por a alternativa ser pior, não temos de elogiar políticas horríveis como o Sánchez. Ou seja, pegando no exemplo que acabei de dar: não é pelo Ventura ser um oportunista perigoso como todos nós sabemos, que temos de elogiar o Sócrates.