Eu percebo o argumento e há situações que enumeraste em que o uso do bom senso se devia aplicar. Nós já temos os ajuntamentos proibidos a mais de 5 pessoas na rua. Se de facto o uso de máscara ao ar livre fizesse a diferença, no verão teríamos muitos mais casos do que aqueles que tivemos, aí sim, tínhamos milhares de pessoas nas praias, houve dias em algumas das praias mais concorridas em que o limite de lotação foi muito claramente ultrapassado, tivemos jovens em grandes aglomerados nas ruas durante a noite a beber álcool, ainda sim tivemos os números mais baixos de casos diários desde o início da pandemia. A transmissão do vírus em espaços exteriores é extremamente rara mesmo em situações de aglomerações.
Esta 2ª vaga de casos deve-se ao aumento brutal da mobilidade das pessoas, já não temos grande parte da população de férias e a fazer muitas das suas actividades ao ar livre, as pessoas voltaram ao trabalho, voltaram a utilizar os transportes públicos onde é totalmente impossível manter manter o distanciamento físico, a esmagadora maioria do dia-a-dia das pessoas é feita em espaços interiores. Não é por acaso que a região do Vale do Sousa é uma das mais afectadas, muito industrializada, imensas fábricas, milhares de pessoas a trabalhara e a conviver diariamente em espaços fechados.
Eu acho que em traços gerais, o comportamento das pessoas é bastante responsável, trabalho na zona do campo alegre onde há imensas faculdades, escritórios, etc., muita gente na rua a usar máscara, não vejo aglomerações de estudantes, as pessoas parecem-me adoptar comportamentos perfeitamente responsáveis, se assim não fosse, o número de casos diários seria bem maior que o actual. Logicamente que há sempre pessoas com um comportamento muito mais relaxado e até negligente e ás vezes ao vermos casos desses isso pode alterar um pouco a percepção, o período que estamos a viver também activa um certo espírito de indignação e até por vezes pidesco nas pessoas.
Acho que a limitação de ajuntamentos nas ruas até 5 pessoas suficiente e a recomendação para usar máscaras em situações onde não é possível salvaguardar o distanciamento, suficientes.
Para mim o fundamental era ter havido um investimento maior no reforço do SNS. Quando, inevitavelmente o SNS começar a rebentar pelas costuras, lá virá o Governo culpar os portugueses pelo seu comportamento irresponsável. A mim assusta-me muito mais este brutal excesso de mortalidade que tivemos desde o início da pandemia e a inoperância e inércia do Governo, usando como desculpa o calor, com tendência para piorar muito mais durante os próximos tempos. Se tivessem sido adoptadas as medidas preventivas necessárias estes números de casos diários não preocupariam.