"Claque vendeu a consciência"
Em declarações ao Jornal de Notícias, Rui Teixeira, ex-dirigente dos Super Dragões, deixou algumas afirmações curiosas que aqui deixamos na íntegra:
"Em Portugal estamos a caminhar para o futebol McDonalds, em que as claques são as 'cheerleaders' e o dirigente da claque é o chefe da banda. Só estão ali para cantar e bater palmas, não se atrevem a criticar".
Rui Teixeira, membro dos Super Dragões há duas décadas e um dos seus históricos dirigentes durante boa parte desse período, desencantou-se com o curso recente da claque.
"Os Super Dragões venderam a consciência, venderam a voz política e colocaram a claque ao serviço da direcção do F.C. Porto, não ao serviço do clube, que devia ser o objectivo único da claque". O resultado - assevera - é evidente "Na claque, o espaço para críticas está cada vez mais fechado. Mas há lá muita gente, verdadeiros ultras, gente da velha guarda, que concorda com as minhas críticas".
Única voz visível de discordância da claque liderada por Fernando Madureira, Rui Teixeira deixou o comando da associação de adeptos juntamente com Paulo Trilho depois de Janeiro de 2006 - a estrutura tinha até então direcção tripartida, com chefia organizada rotativamente de forma informal entre os três.
Descontente com a "subserviência dos Super Dragões relativamente à direcção do Porto", Rui Teixeira viu-se afastado da liderança depois do conhecido 'Caso Adriaanse', quando, no início de 2006, a viatura do então treinador do Porto foi vandalizada, tendo havido ameaças à integridade do holandês. A direcção do Porto tê-lo-á ligado aos acontecimentos; Antero Henriques (director-geral de futebol da F.C.Porto SAD) terá exigido o afastamento de Teixeira e de Trilho, exigindo também, como pedia a Lei, a constituição de uma associação de adeptos.
"Não vejo clareza de procedimentos na constituição dessa associação", diz Rui Teixeira, que critica também a política de distribuição de bilhetes que o clube cede aos Super Dragões para cada jogo (cerca de dois mil) "São vendidos demasiados bilhetes, em termos percentuais, a pessoas sem espírito ultra, sem espírito de claque. E isso enfraquece ainda mais os Super Dragões".
Confrontado pelo JN com as declarações do ex-companheiro de chefia, Fernando Madureira, agora solitário presidente da claque, desvaloriza as críticas.
"Primeiro, a claque está completamente legal; o processo envolveu sempre advogados (...) e havemos de ter eleições, creio que em 2010. Segundo a claque não perdeu capacidade crítica; acontece só não haver agora razões para criticar a direcção. Recordo que estamos a 14 pontos do Sporting e a 11 do Benfica. E depois, as críticas, aqui, fazem-se dentro de casa, não na praça pública. Nós não damos tiros nos pés". Madureira diz compreender as críticas - "vivemos, e ainda bem, em democracia" - e acha normal a análise de Rui Teixeira. "Afinal ele agora está de fora. Acho natural que pense assim".
http://claques-portugal.blogspot.com/2008/02/claque-vendeu-conscincia.html