Eu nunca fui de nacionalismos bacocos e muito menos de "patrioteirismo futeboleiro". Nunca alinhei no circo de meter bandeirinhas à janela no euro 2004 nem coisa que o valha. Mas goste-se ou não a seleção dá um grau de visibilidade ao país que tem um significado que é impossível de menosprezar. E por muito "chique" que seja criticar este folclore patriótico ou até se quisermos seja "chique" criticar o tribalismo futebolístico nacional o futebol une muita gente. E une de uma forma positiva. Se aparecer um doutor e um trolha a comer ao balcão numa tasca há um assunto em que ambos estão em pé de igualdade e que ficam por uns minutos a falar e a humanizar sem olhar a aparências, estatuto social, etc. Isto tem alguma importância até de um ponto de vista de harmonia social. É um ponto de contacto, um motivo de aproximação de pessoas.
Neste contexto a seleção estar bem e ganhar dá alento e dá um ponto de união entre nós próprios e entreo país e o mundo. Força Portugal
Também sou dos que gosta que a seleção ganhe títulos e vibrei muito com a vitória no Euro 2016.
Posto isto, não vejo jogos de preparação e de apuramento apenas um ou outro; irrita-me o folclore das músicas pimba de "apoio a Portugal", os diretos do Nuno Luz e o respetivo circo mediático das concentrações da seleção; também irrita ouvir o David Borges, e aquela sua placa mal encaixada na boca, a falarem do assunto.
Mas toca-me o hino, toca-me a alegria dos emigrantes, toca-me a ansiedade e os nervos das pessoas que eventualmente até odeiam futebol mas que roem as unhas todas quando Portugal participa numa grande competição. Acabo, assim, por me deixar levar por algum sentimento patriótico. Devo confessar até que todo o meu corpo se arrepiou ao ver os festejos dos habitantes de Timor Leste quando vencemos o Euro. Não tem preço.
Ainda assim, paixão só o FC Porto e a minha cidade do Porto. Como alguém aqui disse, também não trocava uma Taça da Liga por um Mundial. E não é só emoção, não é apenas irracional, pois também o digo com toda a racionalidade do mundo. É inexplicável, mas em simultâneo também uma escolha, amar tanto assim este clube e esta cidade. Eu gosto disto. Gosto desta "doença". E a seleção, perto disto, torna-se tão insignificante quanto os convocados do Martinez sem o Alberto e o Martim.