Estão a ser engolidos pela própria narrativa que criaram e, neste momento, já não sabem bem como reagir a uma comunicação que deixou de ser controlável. Internamente podem até estar a tentar várias estratégias, mas, isto deixou de ser um assunto doméstico. Foi exposto para o mundo inteiro, está sob escrutínio internacional e já não vive apenas do circuito mediático nacional.
Há várias lendas do futebol, com plataformas globais e independentes, a emitir opinião, gente que não entra em jogos de bastidores do Regime nem segue “cartilhas”. Comentadores e jornalistas estrangeiros estão a analisar o caso sem filtros locais, e isso tira-lhes completamente a margem de controlo. O que lhes resta, para consumo interno, é tentar descredibilizar essas vozes, como já começaram a fazer com o Rio Ferdinand, numa tentativa clara de desviar o foco do essencial.
Se fosse uma questão circunscrita ao panorama nacional, não tenho dúvidas de que o assunto seria rapidamente abafado, como já aconteceu noutras ocasiões. Mas desta vez não é assim. A exposição internacional mudou o jogo. Estão desorientados, e sinais disso são evidentes, ainda ontem tentaram mudar a narrativa com conteúdos nas redes, com o vídeo do Samuel Soares, enquanto nos debates televisivos os argumentos começam a descer de nível, o que, ironicamente, só amplifica ainda mais o problema.
A entrada em cena da CBF eleva tudo para outra dimensão. Estamos a falar de uma das federações mais influentes do futebol mundial, e a pressão que isso cria sobre a UEFA e até a FIFA é inevitável. Quando o tema deixa de ser apenas “ruído local” e passa a envolver entidades internacionais com peso político e mediático, a margem para ignorar o assunto reduz-se drasticamente.