O que o FC Porto fez esta época não foi uma simples renovação de plantel, foi uma rutura completa com o passado recente. Mudança profunda de jogadores, novas dinâmicas, novas referências no balneário, novas rotinas de jogo. Isto, num contexto normal, já leva tempo. Num clube como o Porto, onde a exigência é ganhar ontem, torna-se ainda mais complexo.
E depois junta-se tudo o resto que mencionas e ainda um contexto competitivo interno com condicionantes claras na arbitragem onde não tens margem para crescer com tranquilidade. É mentalmente desgastante a forma como decorreram as competições internas. Mesmo assim, a equipa manteve-se competitiva desde o início. Isso, por si só, já diz muito do trabalho que está a ser feito.
Ganhar o campeonato nestas condições é, do ponto de vista de construção de projeto, um feito de enorme dimensão. Porque normalmente, quando fazes uma revolução destas, pagas um preço, perdes consistência, perdes pontos, precisas de tempo. O Porto não teve esse luxo.
Se, no meio deste processo todo, ainda consegues ser campeão, isso significa que acertaste na base do projeto. Conseguiste criar rapidamente uma identidade competitiva e tiveste capacidade para ganhar enquanto ainda estavas a construir. Ser campeão neste contexto é acelerar anos de construção num só.