um mega escândalo de gestão danosa pouco falado:
"Quando Portugal entrou na CEE em 1986, a Península de Setúbal ficou classificada na mesma unidade territorial que Lisboa para efeitos de fundos europeus. O problema é que Lisboa tem um PIB per capita elevado e Setúbal não — ronda metade da média europeia. Como os fundos de coesão são atribuídos com base nessa classificação regional, Setúbal foi durante décadas tratada como região desenvolvida quando claramente não o é. O dinheiro que deveria ter chegado, não chegou.
Em 2013, o governo Passos Coelho agravou a situação. A chamada lei Relvas fundiu a Península de Setúbal na Área Metropolitana de Lisboa, eliminando-a como unidade estatística autónoma. A partir desse momento deixou de haver sequer dados próprios da região para apresentar a Bruxelas. As estimativas apontam para uma perda de cerca de dois mil milhões de euros por cada ciclo de sete anos de fundos comunitários. Nunca foi apresentada qualquer justificação para a decisão.
A correção chegou em 2024, quando a Península de Setúbal passou a ter uma NUTS II própria, separada de Lisboa. É a primeira vez que isso acontece desde a adesão à CEE. Com indicadores calculados de forma autónoma, a região deverá ser classificada como menos desenvolvida e aceder a fundos europeus em condições completamente diferentes — eventualmente com programa operacional regional próprio, como têm o Norte, o Centro ou o Alentejo. Os efeitos práticos em termos de financiamento só se farão sentir no quadro comunitário pós-2030. Quase quarenta anos depois, a situação está finalmente corrigida"