Economia Nacional

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Sort of, o Pacheco Pereira no programa lá do gajo comentou sobre o discurso do Ventura nos 50 anos da Constituição que "HAVIA MAIS PRESOS POLÍTICOS DEPOIS DO 25 DE ABRIL DO QUE ANTES", que não era verdade e que estava disposto a debater e a demonstrar com factos históricos que não era verdade e o Ventura viu ali uma oportunidade rara para ir à televisão e aceitou o "convite".

A guerra colonial e o colonialismo foi um assunto lateral que também foi trazido à conversa.

Moral da história, estar a comparar um regime político que durou quase 50 anos com um período pós revolucionário que durou ano e meio, com tanto ressentimento e vingança (porque não?) a ex-agentes da pide e denunciantes do tempo da ditadura , é pura idiotice mas tudo bem. já nem ligo. Por entre elogios ao Marcelinho da Mata e ao Kaúlza de Arriaga e risos de escárnio quando se falou no Humberto Delgado, enfim, é cansativo.
O Ventura é um porco que passa o tempo a grunhir, não é possível ouvir nada nem ninguém com um porco na sala que não pára de grunhir. O Pacheco Pereira foi muito ingénuo...
 

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O Ventura é um porco que passa o tempo a grunhir, não é possível ouvir nada nem ninguém com um porco na sala que não pára de grunhir. O Pacheco Pereira foi muito ingénuo...
Eu parto-me sempre a rir com o Ventura quando o interlocutor dele está a dizer a permissa 1, a permissa 2 e quando vai chegar à conclusão, o Ventura fala por cima.

Tipo,
"antes de 25 de abril houve 40 mil presos políticos, houve certamente muitos mais que não foram contabilizados, fora as pessoas que passaram à clandestinidade logo "
e o Ventura fala por cima virado para o moderador
"ELE ESTÁ A FALAR MUITO MAIS TEMPO DO QUE EU" e o Pacheco Pereira por trás continua a dizer algo que mal se ouve e que seria a conclusão da ideia.

É sistematicamente isto. :D
 

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Eu parto-me sempre a rir com o Ventura quando o interlocutor dele está a dizer a permissa 1, a permissa 2 e quando vai chegar à conclusão, o Ventura fala por cima.

Tipo,
"antes de 25 de abril houve 40 mil presos políticos, houve certamente muitos mais que não foram contabilizados, fora as pessoas que passaram à clandestinidade logo "
e o Ventura fala por cima virado para o moderador
"ELE ESTÁ A FALAR MUITO MAIS TEMPO DO QUE EU" e o Pacheco Pereira por trás continua a dizer algo que mal se ouve e que seria a conclusão da ideia.

É sistematicamente isto. :D
E ainda por cima ele "fala" aos berros, sempre. E o moderador é sempre pouco mais que um cone, deixa-o fazer tudo. Impossível discutir o que quer que seja nestas condições.
 

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Sort of, o Pacheco Pereira no programa lá do gajo comentou sobre o discurso do Ventura nos 50 anos da Constituição que "HAVIA MAIS PRESOS POLÍTICOS DEPOIS DO 25 DE ABRIL DO QUE ANTES", que não era verdade e que estava disposto a debater e a demonstrar com factos históricos que não era verdade e o Ventura viu ali uma oportunidade rara para ir à televisão e aceitou o "convite".

A guerra colonial e o colonialismo foi um assunto lateral que também foi trazido à conversa.

Moral da história, estar a comparar um regime político que durou quase 50 anos com um período pós revolucionário que durou ano e meio, com tanto ressentimento e vingança (porque não?) a ex-agentes da pide e denunciantes do tempo da ditadura , é pura idiotice mas tudo bem. já nem ligo. Por entre elogios ao Marcelinho da Mata e ao Kaúlza de Arriaga e risos de escárnio quando se falou no Humberto Delgado, enfim, é cansativo.
o pior é que acho que a maioria dos portugueses concorda com o ventura, pelo menos na parte do colonialismo e guerra colonial.
há pessoal que acha que gostar do país e ser patriota é dizer que a história do país foi toda super mega espectacular.

a defesa do estado novo, seja com a peta dos presos políticos, seja no que for,é mesmo delírio total, não tem ponta por onde se pegue.
nenhum líder na história de Portugal fez pior ao país que o Salazar. ter pessoal saudosista e a fazer disto uma guerra de direita vs esquerda é de um atraso mental brutal.
 

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o pior é que acho que a maioria dos portugueses concorda com o ventura, pelo menos na parte do colonialismo e guerra colonial.
há pessoal que acha que gostar do país e ser patriota é dizer que a história do país foi toda super mega espectacular.

a defesa do estado novo, seja com a peta dos presos políticos, seja no que for,é mesmo delírio total, não tem ponta por onde se pegue.
nenhum líder na história de Portugal fez pior ao país que o Salazar. ter pessoal saudosista e a fazer disto uma guerra de direita vs esquerda é de um atraso mental brutal.
Do séc xv para cá fomos o país campeão no tráfico de escravos. Traficamos quase 6 milhões de africanos para o Brasil, Portugal, etc..
É facto assente para historiadores e estudiosos, fomos os piores de todos a traficar escravos.
 

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Historicamente, o tráfico transatlântico de escravos foi dominado por potências europeias que transportaram milhões de africanos para as Américas entre os séculos XVI e XIX.

Os principais intervenientes foram:

Portugal: O maior transportador individual. Através do Império Português (com especial foco na ligação entre Angola/Costa da Mina e o Brasil), estima-se que tenha sido responsável pelo transporte de quase 40% do total de escravizados (cerca de 5,8 milhões de pessoas).

Reino Unido: Dominou o tráfico no século XVIII. Estima-se que os navios britânicos tenham transportado mais de 3 milhões de pessoas, principalmente para as suas colónias nas Caraíbas e América do Norte.

França: Responsável pelo transporte de aproximadamente 1,3 milhões de pessoas, com destino maioritário às plantações de açúcar em Saint-Domingue (atual Haiti).

Espanha: Embora tenha utilizado o sistema de Asiento (contratos com outras nações), transportou diretamente cerca de 1 milhão de pessoas para as suas colónias na América Latina e Cuba.

Países Baixos: Os holandeses transportaram cerca de 500.000 pessoas, consolidando rotas através da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais.

Estados Unidos: Apesar de terem proibido a importação em 1808, estima-se que navios sob bandeira norte-americana tenham transportado cerca de 300.000 pessoas ao longo da história do tráfico.

Volume Estimado por Bandeira (1501–1867)
Nação Transfere Escravizados Embarcados (Aprox.)
Portugal / Brasil 5,8 Milhões
Reino Unido 3,2 Milhões
França 1,3 Milhões
Espanha 1,0 Milhão
Países Baixos 500.000
EUA 300.000
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O tráfico de escravos no mundo árabe, frequentemente designado como Tráfico Transaariano e do Oceano Índico, foi mais duradouro e geograficamente mais vasto do que o transatlântico, estendendo-se do século VII ao XX.

Características Principais
Duração: Operou por mais de 1.200 anos, desde a expansão islâmica inicial até à abolição formal em vários estados do Médio Oriente e Norte de África no século XX.

Volume: As estimativas são mais complexas devido à falta de registos centralizados (como os manifestos de navios europeus), mas os historiadores apontam para números entre 10 a 18 milhões de africanos escravizados.

Mortalidade: A taxa de sobrevivência era extremamente baixa. Na travessia do deserto do Saara ou nas marchas forçadas até à costa, estima-se que entre 80% a 90% das pessoas capturadas morressem antes de chegar ao destino.

Diferenças Estruturais
Demografia: Ao contrário do tráfico atlântico (que focava em homens jovens para trabalho agrícola), o tráfico árabe privilegiava as mulheres (para concubinagem e trabalho doméstico) e crianças.

Papel Social: A escravatura não era exclusivamente racial; escravizavam-se africanos, europeus (eslavos e caucasianos) e asiáticos. Contudo, o volume de africanos subsarianos foi o mais expressivo a longo prazo.

Castração: A prática da castração de homens (para servirem como eunucos) era comum, o que resultou numa descendência muito menor em comparação com as populações afrodescendentes nas Américas.

Principais Rotas e Centros
Rota Transaariana: Ligava a África Ocidental e Central ao Magrebe e ao Egito através do deserto.
Rota do Mar Vermelho: Levava escravizados do Corno de África para a Península Arábica.
Rota do Oceano Índico: Centrada em entrepostos como Zanzibar, transportava pessoas para o Golfo Pérsico, Mesopotâmia e Índia.

Embora Portugal e o Reino Unido tenham transportado mais pessoas num curto espaço de tempo (a "escala industrial" do século XVIII), o sistema operado pelos califados e impérios islâmicos destaca-se pela sua persistência histórica e impacto demográfico prolongado no continente africano.
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A Coreia detém o recorde histórico de ter tido uma das sociedades esclavagistas mais duradouras do mundo, mas com uma característica distintiva: a escravatura interna. Ao contrário de Portugal ou dos impérios árabes, os coreanos escravizaram maioritariamente o seu próprio povo.

O sistema era conhecido como Nobi:
O Sistema Nobi
Duração: Consolidou-se no período Goryeo (século X) e atingiu o auge na Dinastia Joseon (1392–1897).

Percentagem da População: Em certas épocas (séculos XV a XVII), estima-se que entre 30% a 50% da população total da Coreia fosse composta por escravos (nobi).

Hereditariedade: A condição era transmitida por via materna. Se uma mulher fosse escrava, os seus filhos também o seriam, independentemente do estatuto do pai.

Características Distintivas
Propriedade: Os nobi eram considerados propriedade legal (ga-san), podiam ser comprados, vendidos, herdados ou oferecidos como dote.

Tipos de Escravos:
Escravos Públicos (Gong-nobi): Trabalhavam em escritórios governamentais, palácios ou minas.

Escravos Privados (Sa-nobi): Viviam nas propriedades dos aristocratas (yangban) ou de forma semi-independente, pagando um tributo anual em colheitas ou tecido ao seu dono.

Ausência de Aspeto Racial: Ao contrário do tráfico transatlântico, não havia uma distinção étnica. Eram coreanos que escravizavam coreanos, geralmente devido a dívidas, punições criminais ou nascimento.

O Declínio e a Abolição
Crise: O sistema começou a ruir após as invasões japonesas e manchus no século XVII, quando o governo permitiu que escravos comprassem a liberdade para financiar o exército.

Fim Oficial: A escravatura hereditária foi abolida em 1886, e o sistema Nobi foi completamente extinto com as Reformas Gabo em 1894, sob pressão de modernização e influência externa.

Embora a Coreia não tenha participado no tráfico internacional de escravos como "campeã" de exportação ou transporte, é um caso único na história pela escala massiva de auto-escravatura institucionalizada durante quase um milénio.
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O Império Romano (Escravatura de Guerra e Expansão)
Roma foi talvez a primeira "sociedade esclavagista" total, onde a economia dependia inteiramente desta mão de obra.
Escala: No auge do império (séculos I e II d.C.), estima-se que 30% a 40% da população da península itálica era escrava (cerca de 2 a 3 milhões de pessoas).

Origem: Ao contrário do sistema atlântico, não era racial. Os escravos vinham de conquistas militares em toda a Europa, Norte de África e Médio Oriente (gregos, gauleses, germânicos, etc.).

Tráfico: Existiam mercados permanentes em Delos e Roma que processavam dezenas de milhares de prisioneiros de guerra anualmente.

2. O Tráfico da Crimeia e do Império Otomano (Escravatura Eslava)
Antes do tráfico transatlântico, o grande fluxo de escravos na Europa era de norte para sul.
O Canato da Crimeia: Entre os séculos XV e XVIII, os tártaros da Crimeia realizaram incursões constantes na Rússia, Ucrânia e Polónia.

Escala: Estima-se que cerca de 2 a 3 milhões de eslavos (daí a origem da palavra slave/esclavo) foram capturados e vendidos ao Império Otomano e Médio Oriente.

Destino: Constantinopla (Istambul) era o maior mercado de escravos do mundo na época.

3. A China (Dinastias Tang a Qing)
A China manteve sistemas de escravatura doméstica e agrícola durante milénios.
Volume: Embora a percentagem da população fosse menor do que em Roma ou na Coreia (cerca de 1% a 5%), devido à densidade populacional chinesa, isso representava milhões de pessoas.

Mecanismo: A maioria tornava-se escrava através da venda de familiares por extrema pobreza (fomes) ou como punição criminal coletiva.

Abolição: Só foi formalmente proibida em 1910, no fim da Dinastia Qing.

4. O Tráfico Berbere (Escravos Europeus no Norte de África)
Operado por piratas do Magrebe (Argélia, Tunísia, Marrocos e Líbia) entre os séculos XVI e XIX.

Escala: Estima-se que mais de 1 milhão de europeus (portugueses, espanhóis, italianos, ingleses e até islandeses) foram capturados em ataques costeiros ou navios.
Impacto: Vilas costeiras na Europa ficaram desertas durante décadas devido ao medo dos raptos. Cidades como Argel tornaram-se centros de comércio de cativos cristãos.
 

radiohead

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Sort of, o Pacheco Pereira no programa lá do gajo comentou sobre o discurso do Ventura nos 50 anos da Constituição que "HAVIA MAIS PRESOS POLÍTICOS DEPOIS DO 25 DE ABRIL DO QUE ANTES", que não era verdade e que estava disposto a debater e a demonstrar com factos históricos que não era verdade e o Ventura viu ali uma oportunidade rara para ir à televisão e aceitou o "convite".

A guerra colonial e o colonialismo foi um assunto lateral que também foi trazido à conversa.

Moral da história, estar a comparar um regime político que durou quase 50 anos com um período pós revolucionário que durou ano e meio, com tanto ressentimento e vingança (porque não?) a ex-agentes da pide e denunciantes do tempo da ditadura , é pura idiotice mas tudo bem. já nem ligo. Por entre elogios ao Marcelinho da Mata e ao Kaúlza de Arriaga e risos de escárnio quando se falou no Humberto Delgado, enfim, é cansativo.
O Ventura gozou com o Humberto Delgado? É giro que o tenha feito, são mais parecidos do que se possa pensar...

Vou dizer uma coisa polémica sobre o Humberto Delgado: parecia-me que ia ser um enorme barrete caso tivesse mesmo assumido a liderança de Portugal. Passo a explicar.

O Humberto Delgado era um fanático do Salazar aquando da ascensão deste ao poder. Aliás, não só isso: o homem conseguia ser mais extremista que o Estado-Novo, nutria simpatias pelo nazismo e por Hitler (!). E assim foi durante muitos anos de regime.

De repente, foi destacado (julgo?) para os EUA e, quando voltou, tornou-se um fervoroso opositor do regime, futuro candidato da oposição democrática.

Ora, há quem atribua essa mudança de ideias ao facto de, supostamente, ele ter visto a conjuntura política dos EUA e ter ficado maravilhado com aquela coisa a que chamam democracia.

Mas eu não penso assim. Na verdade, ao olhar para esse contexto, tudo me leva a crer que o Humberto Delgado era o candidato da CIA. Retiro isso do modo como as coisas aconteceram, da forma como a sua campanha ocorreu, do começo das críticas a Salazar no plano internacional e tendo em conta o modus operandi dos EUA e da sua agência de informação no anos 50.

Se havia coisa em que o Salazar acreditava, ao contrário do seu discípulo Ventura - que coloca os americanos em 1.º -, era num Portugal em primeiro lugar. O Salazar tinha muita desconfiança dos EUA, defendia aquela ideia do "orgulhosamente sós" (já antes da guerra colonial) e valorizava imenso a soberania nacional, excessivamente como é óbvio. Isso logicamente não agradava aos americanos...

Aliás, pareço não ser o único a achar isso: os comunistas também o pensava nessa época e só se uniram ao Delgado por uma questão de conveniência.

Portanto, se a minha leitura sobre Humberto Delgado está correcta - e Deus me perdoe se estiver a ser injusto com o senhor -, estamos perante alguém que era um lacaio dos EUA e com ideias de extrema-direita.

Faz-vos lembrar alguém?
 

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O Ventura gozou com o Humberto Delgado? É giro que o tenha feito, são mais parecidos do que se possa pensar...

Vou dizer uma coisa polémica sobre o Humberto Delgado: parecia-me que ia ser um enorme barrete caso tivesse mesmo assumido a liderança de Portugal. Passo a explicar.

O Humberto Delgado era um fanático do Salazar aquando da ascensão deste ao poder. Aliás, não só isso: o homem conseguia ser mais extremista que o Estado-Novo, nutria simpatias pelo nazismo e por Hitler (!). E assim foi durante muitos anos de regime.

De repente, foi destacado (julgo?) para os EUA e, quando voltou, tornou-se um fervoroso opositor do regime, futuro candidato da oposição democrática.

Ora, há quem atribua essa mudança de ideias ao facto de, supostamente, ele ter visto a conjuntura política dos EUA e ter ficado maravilhado com aquela coisa a que chamam democracia.

Mas eu não penso assim. Na verdade, ao olhar para esse contexto, tudo me leva a crer que o Humberto Delgado era o candidato da CIA. Retiro isso do modo como as coisas aconteceram, da forma como a sua campanha ocorreu, do começo das críticas a Salazar no plano internacional e tendo em conta o modus operandi dos EUA e da sua agência de informação no anos 50.

Se havia coisa em que o Salazar acreditava, ao contrário do seu discípulo Ventura - que coloca os americanos em 1.º -, era num Portugal em primeiro lugar. O Salazar tinha muita desconfiança dos EUA, defendia aquela ideia do "orgulhosamente sós" (já antes da guerra colonial) e valorizava imenso a soberania nacional, excessivamente como é óbvio. Isso logicamente não agradava aos americanos...

Aliás, pareço não ser o único a achar isso: os comunistas também o pensava nessa época e só se uniram ao Delgado por uma questão de conveniência.

Portanto, se a minha leitura sobre Humberto Delgado está correcta - e Deus me perdoe se estiver a ser injusto com o senhor -, estamos perante alguém que era um lacaio dos EUA e com ideias de extrema-direita.

Faz-vos lembrar alguém?
Julgo precisar de esclarecer mais uns pontos, sob pena de estar excessivamente injusto com o Humberto Delgado, tendo por base uma mera suposição.

i) como é óbvio, a minha crítica não se deve a Delgado ter sido um apoiante de Salazar em 1928 e nos primeiros anos do Estado-Novo. Se formos honestos, podemos chegar à conclusão de que também a maioria de nós poderia ter sido apoiante do Botas, tendo em conta o que se passava na 1.ª República e a forma como isso afetava o dia-a-dia das pessoas.

ii) Mais dúbia será, porém, a simpatia pelo nazismo nos anos 30. De facto, essa era uma posição absolutamente minoritária, mesmo num regime - conforme se entenda designá-lo - autoritário conservador e nacionalista, ou até fascista. Salazar detestava Hitler, e a maioria da população não possuía qualquer simpatia pelos ideais do III Reich.

iii) Convém, mesmo assim, sublinhar que o General Humberto Delgado acabaria por mudar de opinião face ao nazismo nos anos 40, com o alastrar da guerra e o vil tratamento dos judeus pelos alemães, que mereceu críticas públicas do general.

iv) E, assim, é certamente possível que Humberto Delgado se tenha tornado um democrata para todos os efeitos. Tal como acredito que a meia década que passou nos EUA tenha ajudado nisso certamente.

v) Mas o facto de se ter tornado um democrata não oblitera a hipótese de ter sido um candidato da CIA. É muito estranho que o homem vá para os EUA como simpatizante de Salazar e volte imediatamente não só como alguém que já não gosta de Salazar, mas como um verdadeiro candidato e opositor do regime.

vi) E essa possibilidade tem de ser vista no contexto das operações da CIA dessa altura, da política externa dos EUA e do próprio tratamento de Salazar na esfera internacional. Na América, Salazar já começava a ser encarado como figura non grata, como bem evidencia aquela célebre capa da revista Time da maçã podre. Portugal, embora formalmente aliado dos EUA em todos os âmbitos, configurava-se como um player independente, a prosseguir os seus próprios interesses - para o bem e para o mal.

vii) Aliás, a razão de se terem realizados aquelas eleições de 1958 - manipuladas e nojentas, como todos sabemos - deve-se precisamente à tentativa do regime de mudar a visão que os americanos e outros povos começavam a ter sobre Portugal.
 

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Vou dizer uma coisa polémica sobre o Humberto Delgado: parecia-me que ia ser um enorme barrete caso tivesse mesmo assumido a liderança de Portugal. Passo a explicar.

O Humberto Delgado era um fanático do Salazar aquando da ascensão deste ao poder. Aliás, não só isso: o homem conseguia ser mais extremista que o Estado-Novo, nutria simpatias pelo nazismo e por Hitler (!). E assim foi durante muitos anos de regime.

De repente, foi destacado (julgo?) para os EUA e, quando voltou, tornou-se um fervoroso opositor do regime, futuro candidato da oposição democrática.

Ora, há quem atribua essa mudança de ideias ao facto de, supostamente, ele ter visto a conjuntura política dos EUA e ter ficado maravilhado com aquela coisa a que chamam democracia.

Mas eu não penso assim. Na verdade, ao olhar para esse contexto, tudo me leva a crer que o Humberto Delgado era o candidato da CIA. Retiro isso do modo como as coisas aconteceram, da forma como a sua campanha ocorreu, do começo das críticas a Salazar no plano internacional e tendo em conta o modus operandi dos EUA e da sua agência de informação no anos 50.

Se havia coisa em que o Salazar acreditava, ao contrário do seu discípulo Ventura - que coloca os americanos em 1.º -, era num Portugal em primeiro lugar. O Salazar tinha muita desconfiança dos EUA, defendia aquela ideia do "orgulhosamente sós" (já antes da guerra colonial) e valorizava imenso a soberania nacional, excessivamente como é óbvio. Isso logicamente não agradava aos americanos...

Aliás, pareço não ser o único a achar isso: os comunistas também o pensava nessa época e só se uniram ao Delgado por uma questão de conveniência.

Portanto, se a minha leitura sobre Humberto Delgado está correcta - e Deus me perdoe se estiver a ser injusto com o senhor -, estamos perante alguém que era um lacaio dos EUA e com ideias de extrema-direita.

Faz-vos lembrar alguém?
Não foi bem gozar, foi mais um riso tipo "ah, já sabia que ias falar nesse gajo".

Há uma diferença essencial entre os dois, né? Um estava a tentar acabar com uma ditadura, outro quer fazer uma quinta república ou lá o que é.

Nem sei se houve assim tanta intervenção da CIA na altura. Depois do 25 de Abril, sim, não queriam uma nova Cuba na europa, mas nos anos 60, não estou bem a ver porque é que os EUA quereriam derrubar o Salazar, ainda por cima ocupados com o bloco de leste, as Coreias e o Vietnam.
 

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O gajo que atirou um cocktail molotov (ou regou com gasolina, as versões divergem) ser um militante do PS que se radicalizou no Estados Unidos era algo que não estava nas minhas cartas de tarot, confesso.
 
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e não é atrasado mental?
Isso já não sei mas é professor de artes, portanto retarded não deve ser.

Já antes tinha sido detido por ter levado uma faca para uma manifestação do género.

O meu conselho para esse gajo é resolve as tuas merdas, pá. Eu não simpatizo nada com católicos ultra conservadores a querer impor a sacralização do esperma alheio (já o dos próprios pode ser desbaratado em casas de banho do Martim Moniz), mas ninguém deve ter que levar com malucos em manifestações pacificas.
 
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Isso já não sei mas é professor de artes, portanto retarded não deve ser.

Já antes tinha sido detido por ter levado uma faca para uma manifestação do género.

O meu conselho para esse gajo é resolve as tuas merdas, pá. Eu não simpatizo nada com católicos ultra conservadores a querer impor a sacralização do esperma alheio (já o dos próprios pode ser desbaratado em casas de banho do Martim Moniz), mas ninguém deve ter que levar com malucos em manifestações pacificas.
pois, mesmo que não seja retardado, é atrasado mental no sentido de ser doido dos cornos, só pode...

um gajo normal não faz uma cena dessas.
deve ser tipo os school shooters etc
 

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pois, mesmo que não seja retardado, é atrasado mental no sentido de ser doido dos cornos, só pode...

um gajo normal não faz uma cena dessas.
deve ser tipo os school shooters etc
Estás a ver aqueles suicidas que à última da hora se arrependem e ficam ali no meio da ponte à espera que alguém apareça e os ajude?

O gajo deve ser do género, quer fazer uma loucura mas à última da hora arrepende-se e não tem "coragem" para dar o último passo. Atirar um cocktail molotov e não o acender é um pedido de ajuda. É tipo "fdx, façam alguma coisa antes que faça merda".

É especulação minha, não conheço o gajo de lado nenhum.
 

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O Ventura gozou com o Humberto Delgado? É giro que o tenha feito, são mais parecidos do que se possa pensar...

Vou dizer uma coisa polémica sobre o Humberto Delgado: parecia-me que ia ser um enorme barrete caso tivesse mesmo assumido a liderança de Portugal. Passo a explicar.

O Humberto Delgado era um fanático do Salazar aquando da ascensão deste ao poder. Aliás, não só isso: o homem conseguia ser mais extremista que o Estado-Novo, nutria simpatias pelo nazismo e por Hitler (!). E assim foi durante muitos anos de regime.

De repente, foi destacado (julgo?) para os EUA e, quando voltou, tornou-se um fervoroso opositor do regime, futuro candidato da oposição democrática.

Ora, há quem atribua essa mudança de ideias ao facto de, supostamente, ele ter visto a conjuntura política dos EUA e ter ficado maravilhado com aquela coisa a que chamam democracia.

Mas eu não penso assim. Na verdade, ao olhar para esse contexto, tudo me leva a crer que o Humberto Delgado era o candidato da CIA. Retiro isso do modo como as coisas aconteceram, da forma como a sua campanha ocorreu, do começo das críticas a Salazar no plano internacional e tendo em conta o modus operandi dos EUA e da sua agência de informação no anos 50.

Se havia coisa em que o Salazar acreditava, ao contrário do seu discípulo Ventura - que coloca os americanos em 1.º -, era num Portugal em primeiro lugar. O Salazar tinha muita desconfiança dos EUA, defendia aquela ideia do "orgulhosamente sós" (já antes da guerra colonial) e valorizava imenso a soberania nacional, excessivamente como é óbvio. Isso logicamente não agradava aos americanos...

Aliás, pareço não ser o único a achar isso: os comunistas também o pensava nessa época e só se uniram ao Delgado por uma questão de conveniência.

Portanto, se a minha leitura sobre Humberto Delgado está correcta - e Deus me perdoe se estiver a ser injusto com o senhor -, estamos perante alguém que era um lacaio dos EUA e com ideias de extrema-direita.

Faz-vos lembrar alguém?
eu não acredito em nada do que o Ventura supostamente defende.

essa admiração pelo Trump é só mais uma peta para 1- se colar à legião internacional pseudo Maga e 2 - ganhar votos dos fãs tugas do Trump.

o Ventura pode ser de direita, pode ser conservador e católico, mas está palhaçada que ele faz no Chega não passa de uma peça de teatro.

um gajo que há poucos anos era do PSD e pedia o Montenegro para líder, não se transforma legitimamente nisto de repente.

e é isso que mete mais nojo que tudo, é um aldrabão e um grifter do mais óbvio que há é ainda temos que ouvir que ele é que "diz as verdades"...

mete-me genuinamente mais nojo do que um Mário Machado.
ao menos o Machado acredita mesmo no que diz e é honesto na merda em que acredita.
o Ventura não passa de um actor rasca de uma novela da tvi
 

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eu não acredito em nada do que o Ventura supostamente defende.

essa admiração pelo Trump é só mais uma peta para 1- se colar à legião internacional pseudo Maga e 2 - ganhar votos dos fãs tugas do Trump.

o Ventura pode ser de direita, pode ser conservador e católico, mas está palhaçada que ele faz no Chega não passa de uma peça de teatro.

um gajo que há poucos anos era do PSD e pedia o Montenegro para líder, não se transforma legitimamente nisto de repente.

e é isso que mete mais nojo que tudo, é um aldrabão e um grifter do mais óbvio que há é ainda temos que ouvir que ele é que "diz as verdades"...

mete-me genuinamente mais nojo do que um Mário Machado.
ao menos o Machado acredita mesmo no que diz e é honesto na merda em que acredita.
o Ventura não passa de um actor rasca de uma novela da tvi
A ideologia do Ventura é pegar no assunto mais polémico do dia e assumir a posição que está mais próxima da maioria.

Depois pega em mais dois ou três assuntos importados dos estados unidos e pega num caso isolado (normalmente uma aldrabice qualquer que viu no tuiter) para dizer mal da esquerdalha.
 
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A ideologia do Ventura é pegar no assunto mais polémico do dia e assumir a posição que está mais próxima da maioria.

Depois pega em mais dois ou três assuntos importados dos estados unidos e pega num caso isolado (normalmente uma aldrabice qualquer que viu no tuiter) para dizer mal da esquerdalha.
e a cena das minorias...
é o único que gajo que critica à descarada 'as minorias' como se isso fosse automaticamente algo mau, lol.

as malditas minorias, nós portugueses de bem somos todos umas vítimas...

nem o Trump e as outras cópias fazem isso tão explicitamente.
 
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12 Maio 2016
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então há polémica porque a Cristina Ferreira disse merda num programa de TV?

mas nessas crónicas criminais não se diz merda todos os dias?