Que tragédia, perdemos um jogo da Liga Europa reduzidos a 10 desde os 7 minutos e ainda assim metemos duas bolas na trave.
Curiosamente, os mais preocupados com esta “tragédia” são os mesmos que há pouco tempo elogiavam o Amoriola depois de uma humilhação com o LASK. A memória é curta quando convém.
Olhando para o que interessa, o plantel tem limitações claras na frente. A lesão do Samu complicou tudo e deixou a equipa sem referência consistente. O Moffi luta, segura jogo, desgasta centrais, mas fica curto na definição. O Gul joga demasiado longe da baliza e perde-se influência onde realmente decide. E assim a equipa vai sobrevivendo, mais por organização do que por capacidade de ferir.
O jogo de ontem ficou condicionado logo na expulsão. Não me parece haver intenção clara, mas o VAR foi rápido a intervir. Já vimos noutros contextos esse tipo de lances passar sem grande análise para não “estragar o jogo”. Aqui não houve esse cuidado. Não é desculpa, mas é contexto.
A Liga Europa já seria sempre exigente, ainda para mais com o bracket que nos calhou, equipas físicas, intensas, jogos em sequência, pouco espaço para respirar. Não foi propriamente sorte no caminho.
A eliminatória decidiu-se nos detalhes. No Dragão falhámos golos que não se podem falhar a este nível, e o lance do Martim acabou por pesar. Acontece. Sobretudo numa equipa que está em ano zero, com uma das maiores revoluções de plantel da liga. E, apesar disso, continua competitiva.
Também termos a andorinha do Moura que complicou internamente foi outro azar. Nunca tivemos a oportunidade de ganhar folga para outro tipo de aposta.
Agora o foco tem de ser outro. Tondela e Esportiva no Dragão são jogos chave. Não é altura para dramatizar nem para criar ruído interno. A equipa precisa de apoio, especialmente num contexto em que não temos soluções ideais na frente. Pela mesma altura na época passada estávamos a meros dias de levar com dois golos do super Kikas.
Se conseguirmos fazer a dobradinha, será uma época super positiva, ainda mais tendo em conta o ponto de partida depois do desastre da época passada.
No próximo mercado, sim, será preciso reforçar o ataque com qualidade e margem de crescimento. Até lá, é com estes que vamos. Com defeitos, mas também com coisas boas.
Uma eliminatória não define uma época.
Se assim fosse, o FC Barcelona também estaria em crise por cair com o Atlético de Madrid.
Há muito jogo pela frente.
E, mais importante, ainda há muito para ganhar.