Mas quantos desses kms não foram feito em modo passeio?
No dia que vir alguém a fazer o mesmo na La Redoute provavelmente deixo de ver ciclismo.
Obviamente que a quilometragem pesa mas em comparação com outras clássicas há bem menos desgaste.
Claro que ninguém faz esses kms todos a mamar com o vento de frente e depois chega ao final e ainda ganha.
O Pogacar já atacou a 100km e ganhou, talvez porque o pelotão não se uniu para o bater.
Mas andar no meio do pelotão, principalmente quando há pouco acumulado de subida e/ou vento, é muito pouco desgastante.
Aqui (
http://instagr.am/p/DMaRr8iR6kl/
) podem ver a diferença entre andar à frente do pelotão (que ainda assim é melhor do que andar sozinho), vs andar no meio do mesmo, onde a poupança de energia chega a ser de 70% em comparação com quem vai à frente e 86% em comparação com quem vai sozinho, a 48km/h.
Isto significa que, um ciclista com o mesmo peso e aerodinâmica (área frontal) pode rolar a uma potência muito inferior quando comparado com os que vão à frente, e os líderes das equipas só vão na frente na parte final das provas.
Por exemplo, no seguinte cenário:
Ciclista com 65kg a 48km/h.
- sozinho: 400w
- frente do pelotão: 344w
- nos flancos do pelotão: 244w
- no centro/meio do pelotão: 56w
- centro/atrás do pelotão: 20w
Os líderes como o Pogacar andam a grande maioria do tempo no centro/meio do pelotão e para um ciclista como o Pogacar, puxar 244w é muito pouco, nem sequer na zona 2 dele está. Ou seja, a menos que suba, ele vai basicamente a passear.
Até eu, que sou um corredor que pedala, consigo puxar 244w durante 2h ou mais, quanto mais um ciclista profissional.
Sim, eles são extraterrestes mas o facto de não irem na frente do pelotão faz com que grande parte da corrida vão a pastar.
Quando sobe, o ganho aerodinâmico é inferior, mas o desgaste é igual para todos.
Quem já rolou atrás de um grupo grande sabe o quão fácil é rolar a 40km/h sem suar muito.
Se houver vento esses valores aumentam bastante.