Mudança de regime no Irão?
Foi assassinado um homem absolutamente sinistro, e que liderava um regime horrendo. Nunca festejarei a morte dum ser humano. É um príncipio. Mas, não me coibo de criticar quem pratica fanatismo religioso, seja islâmico, judeu, cristão, ou hindu, e disso faz política e violência extrema, que se chama terrorismo.
Há dois crimes grosseiros. A violação do Direito Internacional, que ou respeitamos e defendemos sempre, ou nunca, e eu lutarei para que seja sempre. E, mais uma vez, o total desprezo do presidente Trump pela lei do seu próprio país.
Nunca houve uma mudança de regime apenas com ataques aéreos, por mais que matem figuras política e militarmente proeminentes. Nunca.
A intervenção dos EUA em 2003 para derrubar Sadam Hussein no Iraque, deu origem mais tarde, ao Estado Islâmico o grupo terrorista mais cruel de que há memória (apoiado moral e finaceiramente pela Arábia Saudita). Em 2016 os EUA voltam ao Iraque, desta vez a pedido do governo iraquiano para derrotar o Estado Islâmico que dominava o norte do Iraque e o leste da Síria. Foi das páginas mais sangrentas da história. Eu vi.
Em 2001, os EUA invadiram o Afeganistão, porque o regime Taliban decidiu não entregar Osama Bin Laden, o líder da Alqaeda que fez o arrepiante ataque às torres gémeas, onde morreram ~2900 pessoas. Em 2011, Bin Laden é morto no Paquistão, mas os EUA permanecem no Afeganistão até perfazerem 20 anos, na guerra dos EUA mais longa de sempre e provavelmente a mais inútil. Passadas 2 semanas, os Taliban retomaram o poder, e o regime e exército treinado pelos EUA e aliados (Portugal inclusive) durante 20 anos, caiu como um baralho de cartas... só serviu para os Taliban se radicalizarem mais do que nunca.
No Iraque e Afeganistão morreram cerca de 1 a 2 milhões de pessoas.
Promoção de democracia feita por dois presidentes que são tudo menos democratas, é uma mentira infinita. Os EUA com Trump já não são uma democracia liberal plena, e caminham para um regime neofascista. E, Israel é um Estado Apartheid que discrimina na lei cidadãos, e é culpado do pior crime da humanidade, o genocídio.
Eu, se fosse iraniano festejaria, tal como qualquer português democrata festejou o pós 25 de Abril. Mas ainda falta tudo para saber as duas questões que penso mais importarem aos iranianos:
1) O regime cairá, ou mantêm-se o mesmo com outra liderança?
2) Se o regime cair, vamos ter paz, harmonia e democracia... caos e guerra cívil,... ou qualquer coisa entre estas duas?
O mundo tem menos um ditador sanguinário, mais há pelo menos 2 ditadores sanguinários que estão contentes: Putin e Xi Jinping (e outros) por terem ganho (ainda mais) legitimidade para atacarem quem quiserem, quando quiserem...
Quem mais sabe, mais dúvidas tem. Não há soluções simples para dilemas complexos. Eu preferia viver num mundo com regras, do que com mais guerras... mas Trump, num ano, já atacou 7 países, ameaçou guerrear mais 4, e ainda anexar o Canadá e o Panamá, e nós, Europeus, nós, Portugueses... estamos a ver, e a bater palmas... ou pelo menos quem nos representa.
Tvs a mostrar portugueses no Dubai, parece-me quase insultuoso para aquilo que está em causa para toda a humanidade.
Eu vou continuar com a teimosia de que todas as vidas humanas têm o mesmo valor, e não tenho dúvidas que na cabeça de quem lidera os EUA e Israel, a vida dos iranianos é o que menos lhes importa.