Olhando para as equipas dos principais campeonatos que ainda estão em prova, parece-me que só nós e, com muita boa vontade, o Aston Villa (a apenas 4 pontos do Arsenal) é que ainda podem dizer que estão realmente na luta pelos respetivos campeonatos.
O resto está bastante mais longe: O Forrest a 25 pontos do Arsenal, a Roma a 9 pontos do Inter e o Bolonha a 22, o Lyon a 9 pontos do PSG e o Lille a 13, o Estugarda a 14 pontos do Bayern e o Friburgo a 23, e quer o Celta quer o Bétis a 20 do Barcelona.
Ou seja, para a grande maioria destes clubes, a Liga Europa passa a ser vista como um atalho real para a Champions, já que a vitória na competição garante entrada direta na prova no ano seguinte. A isso junta-se ainda o fator histórico: é uma competição que apenas nós, das equipas em prova, já venceu e isso pode fazer com que todos possam ter a motivação extra de querer fazer história. Tudo isto leva a crer que muitas destas equipas teoricamente mais fortes vão apostar muito a sério na Liga Europa. E é aqui que entra o nosso dilema já que nós, ao contrário da maioria destas equipas, temos imenso a perder se nos desviarmos do foco do campeonato. A conquista da liga é fundamental não só em termos de moral, estatuto e validação de todo o trabalho realizado esta temporada, mas também, e sobretudo, em termos financeiros. Neste momento, é a única forma segura de garantir o dinheiro da Champions logo no início do mercado de verão com todas as vnatagens que isso tem, além de nos permitir oferecer futebol europeu de topo como argumento a possíveis reforços logo a partir de maio/junho, aumentando o nosso leque de opções de mercado.
Como a Liga Europa passa agora a ser jogada em eliminatórias, um formato onde as surpresas são constantes e onde um mau jogo pode deitar tudo a perder, o risco de apostar demasiado na competição está longe de garantir seja o que for. Podemos até ser das equipas com mais tradição na prova, mas isso não nos protege do risco de forçarmos em demasia a procura de bons resultados na prova. No fundo, é isto: podemos ter muito a ganhar na Liga Europa, mas somos claramente quem tem mais a perder se apostarmos tudo numa competição imprevisível, quando o campeonato é demasiado importante para ser tratado como secundário. E, goste-se ou não, não nos podemos dar a esse luxo.