Há um debate em Portugal sobre a forma atual do FC Porto jogar. No início da época era uma equipa mais intensa no ataque e agora é mais pragmática. Concorda com esta análise?
Farioli:
"Não vejo qualquer tipo de diferença entre agora e o início da época. Acho que há alguns mal-entendidos, como ser visto como uma equipa defensiva porque não concedemos golos. Para mim, isso é uma análise feita a olho nu. Somos a melhor equipa em termos de intensidade de pressão, que gera uma quantidade grande de oportunidades de golo, concedemos muito poucas e as que concedemos temos um bom guarda-redes para defender alguns remates. Esse é o reflexo dos números para mim. 95% das vezes, uma equipa que lidera o jogo com e sem bola, há momentos no jogo em que temos de respeitar o adversário e defender um pouco mais abaixo, mas isso são situações raras. Se é esse o caso, não vejo nada que mostre falta de atitude ou desejo. Ao meu lado, tenho alguém (Rodrigo Mora) que é um boa imagem disso, quando vejo comentários sobre a evolução do Rodrigo Mora, leio sobre o contributo defensivo, onde fez grande evolução e estou muito grato pela capacidade de poder ser treinado nesse aspeto, de ser humilde para colocar o seu talento incrível ao serviço da equipa. Mas há outra parte que estamos a subestimar, que é a sua evolução com a bola e não leio nada sobre isso. É um jogador que mudou muito a forma de jogar, de wonderkid (puto-maravilha) tornou-se um jogador de equipa, capaz de construir o jogo mais abaixo e de fechar linhas de passe que não fazia há meses. Agora está muito mais decisivo no último passe, como encontra o companheiro numa melhor posição em vez de rematar... Neste tipo de coisas há, infelizmente, a construção de uma narrativa que não é errada, mas não está completa. Seria bom para vocês poderem rever duas ou três vezes os jogos como nós fazemos antes de chegar a conclusões e comentários precipitados."