Em 18 jornadas temos 17 vitórias e apenas um empate. Nenhuma derrota. Ainda assim, há uma perceção externa de fragilidade ofensiva por existirem várias vitórias pela margem mínima. O problema dessa leitura é que ignora completamente o padrão. Não alternamos de forma aleatória entre vitórias confortáveis e vitórias curtas. Pelo contrário, existe uma lógica clara de ciclos competitivos. Sempre que a equipa entra num determinado modo de jogo, sustenta-o durante vários jogos consecutivos.
A sequência na Liga é elucidativa. Começamos com três vitórias por mais de um golo seguidas por duas vitórias por um golo, sendo a primeira em Alvalade frente ao Sporting, num dos jogos mais difíceis do campeonato. Depois, duas vitórias novamente por mais de um golo e um empate, em casa, frente ao Benfica. Seguem-se quatro vitórias consecutivas por um golo onde se inclui o jogo em casa frente ao Braga. Depois, quatro vitórias por mais de um golo. E, por fim, duas vitórias por um golo, nos Açores e em Guimarães.
Isto não é oscilação. É controlo. Quando o contexto competitivo exige maior prudência, o FCP aceita jogos fechados, cria o suficiente e protege a vantagem com enorme competência defensiva. Quando encontra contextos mais favoráveis, a equipa mantém a mesma base de segurança, mas consegue traduzir isso em margens mais confortáveis. As vitórias por um golo não surgem isoladas nem por perda de controlo emocional. Surgem em blocos, muitas vezes associados a jogos de maior exigência ou a fases da época em que o critério é claramente não conceder. E mesmo nesses momentos, a equipa mantém sempre condições reais de ganhar o jogo. Este padrão ganha ainda mais peso quando se cruza com o dado defensivo. Quatro golos sofridos em dezoito jornadas não é um pico momentâneo. É consistência estrutural. É uma equipa que sabe sofrer, que está confortável sem bola e que entende que, num campeonato longo, ganhar por margem curta de forma repetida é um sinal de maturidade, não de fragilidade. Pode não ser um modelo exuberante, mas é um modelo altamente funcional. O FCP não vive de momentos. Vive de controlo. E isso explica porque, mesmo criando menos do que alguns adversários, o que nem sempre é o caso mesmo em jogos em que não criamos muito, raramente deixa de ganhar.