39 anos.
Era uma criança com 12.
Tudo era magia, eles eram os meus Deuses, o meu caderno de escola com o onze de cada jogo do Porto. O relato do Gomes Amaro que tentava imitar.
A escola. A prof de Ciências que se despediu de mim nessa tarde dizendo, que ganhe o Porto.
A frustração. A jogada do Futre. O golo de Madjer. De calcanhar! Aos berros a chamar o irmão. Anda ver pá!!!
Logo de seguida os rins do alemão por terra, a bola cruzada e o nosso destino era por ali, pelos pés de Juary.
Como eu amava o Porto.
Camiões de gente a sair para a Cidade.
O FIM DO MUNDO.
Lembro-me de tudo, desse dia.
Tinha 10 anos e foi nesse dia que aprendi que também se chorava de felicidade.
Depois do golo do Juary, fui para a janela com uma bandeira que teria quase o dobro do meu tamanho.
Quando dei por mim, tinha as lágrimas a escorrer-me pela cara, em catadupa.
A minha mãe veio para a minha beira e - lembro-me perfeitamente - perguntei-lhe:
Porque é que estou a chorar, se estou tão feliz?
e ela, na sabedoria eterna das mães, afagou-me a cabeça e disse-me que também se chorava de felicidade.
Tantas saudades desse dia.
AInda hoje, 39 anos depois, emociono-me sempre a ler sobre o jogo, a ver noticias e videos e a ouvir os relatos dos golos.
27 de Maio de 1987.
Acho que não há data que me diga tanto, como esta. Está marcada a fundo na minha memória.