Penso que estamos em sintonia em vários pontos, especialmente na questão do estofo mental do plantel e na falta gritante de qualidade em posições-chave (centrais, extremos, médio box-to-box). Aos anos que andamos a remar com jogadores que simplesmente não estão à altura da exigência do FC Porto.
A saída do Nico, como referiste, foi claramente o ponto de rutura. A equipa perdeu o seu elo de ligação, e com isso perdeu-se também qualquer capacidade de controlar o jogo a meio-campo. Agora… é exatamente aí que entra a minha maior crítica ao Anselmi. Quando te falta o teu melhor jogador, tens de saber adaptar. Mudar o sistema, reforçar zonas frágeis, dar ordens novas. Ele não faz isso, ou se faz, é tarde e mal. E isso, para mim, não é apenas teimosia. É limitação. É aqui que entra a minha desconfiança nas suas capacidades e mesmo sabendo que o plantel é curto e tem falta de qualidade.
Dito isto, também não alinho na caça às bruxas imediata. Não sou dos que pede a cabeça do treinador ao fim de dois jogos. Mas se ao fim de meses ainda não vimos uma ideia clara de evolução nem plano B, temos que ter coragem para o dizer. Uma coisa é dar tempo. Outra é fechar os olhos.
A tal “revolução” no plantel que falas é inevitável, e quanto mais tarde for feita, pior. Porque a verdade é que se deixarmos ficar tudo na mesma, o próximo treinador (ou o mesmo) vai estar a correr atrás do prejuízo desde o primeiro dia.
E sim, tens razão ao lembrar o estado financeiro em que herdaram o clube e o trabalho que está a ser feito para o recuperar. Mas não é por isso que vamos tolerar tudo dentro de campo. O FC Porto não pode ser um projeto de recuperação. Tem que ser um projeto de ambição.
Criticar com razão não é atacar. É querer mais. É exigir o que o nosso emblema representa.
E neste momento, seja treinador, direção ou jogadores, ninguém pode estar acima dessa exigência.