Partilhou balneário com nomes grandes do futebol português. Jorge Costa foi um deles. Já era um líder dentro e fora de campo nos sub-17 e sub-19?
Tulipa:
"Sim, eu diria muito mais dentro do campo. Era sempre um jogador destemido, um jogador que, mesmo dentro das dificuldades que aparecem em todos os jogos, ele era sempre uma pessoa com ânimo, uma pessoa que respondia bem a essas dificuldades e com entusiasmo, impulsionava os companheiros e isso é importante.
Depois, fora, as pessoas às vezes são diferentes e têm características que o façam ser claramente diferentes daquilo que são em campo. O Jorge era um caso desses, na minha opinião. Era uma pessoa boa, fora do campo, amigo, mas dentro do campo era uma pessoa muito exigente e muito ganhadora.
Isso é importante, em cada lance que ele pusesse em prática era para ganhar aos seus opositores, aos seus avançados, mas acima de tudo era para ganhar enquanto equipa, para ganhar ao seu adversário. Isso foi uma coisa que ele levou sempre no seu trajeto, não só como jogador, mas também como treinador."
O que é que o futebol português perdeu com a morte do ‘Bicho’?
Tulipa:
"Quem mais perde é a sua família, os seus filhos, a sua esposa, o seu neto. Eu diria que essas pessoas perdem, primeiro de tudo, uma pessoa boa, uma pessoa com humanidade, humilde também, perante todo o seu trajeto de ganhador, é uma pessoa humilde, foi sempre uma pessoa humilde.
Depois, o FC Porto, na minha opinião, é quem mais perde, porque perde um dirigente com um passado de grande importância no clube, mas acima de tudo com uma responsabilidade de transmitir uma exigência grande e aquilo que é o ADN do FC Porto e a cultura do FC Porto.
Perde também um grande suporte do presidente, porque nós às vezes não temos que ter sempre em posições de destaque os jogadores, mas por vezes também é importante ter alguém que esteve dentro, que esteve como treinador e que ao mesmo tempo tem uma paixão muito grande para o clube e consegue gerir e ter as melhores ideias e as melhores opções para transmitir aos jogadores.
E portanto, eu acho que quem perdeu mais foi a família e o FC Porto, e depois o país, porque é uma pessoa que nos deu muito ao futebol, foi uma pessoa ganhadora não só na formação, mas também enquanto futebolista profissional, porque lutou pela nossa seleção com uma dignidade muito grande. "