Parabéns a quem escreveu este textão.
O humor é uma arma cada vez mais importante contra a ignorancia da população e contra as medidas populistas dos partidos políticos.
Voluntariado obrigatório
A Prestação Social Única é uma ideia fascinante. O Governo descobriu a fórmula mágica para resolver tudo ao mesmo tempo: desemprego, falta de funcionários e relva alta nas rotundas.
Agora quem recebe apoio social pode ter de fazer 15 horas semanais de trabalho comunitário. E eu adoro a expressão “trabalho comunitário”, porque parece uma daquelas atividades giras dos escuteiros. Uma pessoa imagina jovens felizes a plantar árvores e a cantar músicas à volta da fogueira. Na prática vai ser o Zé do RSI a descarregar grades para a festa da aldeia às 7 da manhã, enquanto um funcionário da Câmara grita “anda lá homem que o Quim Barreiros chega às cinco”.
Isto é lindo porque estamos a criar o primeiro emprego que oficialmente não é um emprego. Trabalhas, tens horário, tarefas e ordens, mas tecnicamente não estás a trabalhar. Estás a ser “integrado socialmente”. Muito poético.
Daqui a nada vais à Loja do Cidadão e tens um senhor de colete refletor a dizer:
“Boa tarde, eu normalmente estou a limpar bermas na Nacional 13, mas hoje calhou-me a secção dos passaportes.“
E claro, isto é apresentado como dignificação. O Governo basicamente olha para um desempregado e pensa:
“Este homem precisa urgentemente de apanhar lixo no parque urbano de Ermesinde para recuperar autoestima.”
Portugal é um país inacreditável.
Passámos décadas a ouvir que era preciso criar emprego qualificado e agora a grande inovação social é transformar beneficiários em funcionários sazonais da Junta de Freguesia sem a parte chata do salário.
Daqui a pouco há escalões:
Prestação Social Base.
Prestação Social Premium.
E Prestação Social Pro Max, que inclui montagem de palco nas festas populares e ver o concerto dos Calema atrás da grade de cerveja.
Mas calma. Não lhe chamem trabalho obrigatório. Isso soa mal. Em Portugal tudo fica mais bonito quando se muda o nome.
Não é precariedade.
É flexibilidade.
Não é pobreza.
É contenção.
E não é trabalho à borla.
É solidariedade dinâmica inclusiva sustentável de proximidade.
Que traduzido para português significa:
“Ó amigo, pegue aí na vassoura e despache isso.”