Hoje não é só um jogo.
Eu falo disto a sofrer. Sofro porque quero ganhar. Sofro porque sei o que está em jogo. E sofro ainda mais porque, como sempre, o contexto vem carregado. A provocação está feita, Fábio Veríssimo no apito. Não é acaso, nunca é. É o teste aos nervos, à paciência, à capacidade de não sair do jogo quando tudo à volta parece desenhado para nos tirar de lá.
Mas o FC Porto nunca viveu de facilidades.
Viveu sempre de resistência.
Hoje joga-se pela memória de quem construiu este clube contra tudo e contra todos.
Fomos sempre "escarrados" por este país, um país que nunca lidou bem com quem ganha fora do eixo, com quem não pede licença, com quem não se ajoelha. Há um ódio antigo, profundo, estrutural ao FC Porto. E ainda bem. Isso diz mais sobre nós do que sobre eles.
Hoje não peço futebol bonito.
Peço seriedade.
Peço concentração.
Peço caráter.
Que o Porto entre mais forte do que o ruído, mais forte do que o árbitro, mais forte do que a provocação. Que saiba sofrer, que saiba esperar, que saiba ferir quando for preciso. Estes jogos ganham-se assim, com alma e com dentes cerrados.
Porque hoje não se joga só uma meia-final.