Entendo que possa haver quem ache que é cedo para renovar com o Farioli. Percebo que muitos se foquem no argumento do “ainda não ganhou nada” e que questionem o momento. Essa é uma leitura legítima. Ainda assim, acho importante separar duas coisas: renovar agora pode não ser a única decisão possível, porque o clube poderia perfeitamente esperar mais algum tempo, mas nas circunstâncias actuais nunca será uma decisão errada.
Primeiro, porque o campeonato que a equipa está a fazer é, objetivamente, excepcional. Não apenas em termos pontuais, mas na consistência exibicional, na evolução coletiva, na identidade clara de jogo e no sentimento global de união que se sente transversalmenre pelo clube como um todo. Não estamos perante um pico momentâneo de forma, mas sim trabalho visível, sustentado e reconhecível semana após semana. Segundo, porque a renovação é um sinal de estabilidade interna. Num clube grande, onde a pressão externa é constante, dar confiança ao treinador transmite segurança ao plantel e à estrutura. Os jogadores também rendem mais quando sentem que existe um projeto claro e uma liderança com confiança efetiva da direção, e não alguém permanentemente em avaliação ao sabor de cada resultado. Não que isso estivesse em causa, mas esta renovação, antes de um clássico, é um excelente reforço dessa mesma ideia. Terceiro, porque renovar antes desse mesmo clássico não protege nem o treinador nem a equipa do julgamento. Um clássico será sempre um clássico. A exigência mantém-se para adeptos, jogadores e treinador. A diferença é que o resultado desse jogo deixa de ter um peso desproporcionado na definição do futuro de um projeto que já demonstrou valor ao longo de vários meses. Por fim, renovar agora é também uma mensagem clara para fora. O clube sabe reconhecer mérito, proteger quem trabalha bem e pensar a médio prazo e desta forma desmobiliza quem, vindo de fora, procura destabilizar. Os títulos continuam a ser o objetivo final, ninguém abdica disso, mas o caminho até lá também conta. E, neste momento, esse caminho é sólido, coerente e promissor.
É por isso que, mesmo percebendo quem discorda, acredito que renovar com o Farioli agora não é um prémio antecipado, mas sim uma aposta racional num projeto que está claramente a dar frutos. O que depois da temporada passada, para mim, tem ainda mais valor.