No século XVI Portugal não era alérgico ao risco, mas isso também porque estava muitos passos à frente das Franças e Inglaterras na ciência da navegação, ou seja, tinha conhecimento que os outros não tinham. Moral da história: o risco é bom quando está associado ao conhecimento, sem conhecimento, o mais seguro é não arriscar nada. Hoje o português médio tem menos conhecimentos do que o inglês médio, e por isso o seu sonho de investimento é abrir um pão-quente e depois tentar ir por aí fora até se tornar a Padaria Portuguesa do gato fedorento.
Mas na aversão ao risco também temos de levar em conta o conhecido fenómeno da fuga de cérebros, que faz com que os portugueses mais competentes/ambiciosos se exportem para países de melhores salários e perspectivas. Aliás, hoje estamos num tempo em que até os trolhas competentes emigram, e cá ficam só os que mal sabem distinguir um martelo duma talocha.