Esta citação faz-me pensar nos tempos que correm. Acaba por ser francamente actual. O que é importante é "não gostar".
Não gostar da igreja e não gostar do governo, dos impostos e dos salários, não gostar dos milionários extorcionistas e dos pobres preguiçosos. Não gostar dos estrangeiros que vêm para aqui "sem os nossos valores" e dos saloios da aldeola com valores retrogrados, dos brancos colonialistas e dos pretos do Zimbabué. Não gostar dos homens machistas e dos gay mais as mulheres histéricas, da polícia que brutaliza e mal trata e dos pedófilos e criminosos que por aí andam, dos púdicos hipócritas e da libertinagem e da pouca vergonha. Não gostar dos intelectuais caviar e dos grunhos simplistas, dos velhacos sovinas e da juventude fútil e bacoca, das elites económicas e dos subsídio dependentes, dos lobbys e dos grupos de interesse e dos sindicatos fossilizados. Não gostar dos maoistas e não gostar dos fascistas. Não gostar dos senhorios com rendas abusivas e dos inquilinos que partem tudo, não gostar das petrolíferas e dos eco-animalistas. Não gostar do mainstream media, não gostar das redes sociais. Não gostar de mim, não gostar de ti.
O que é importante é "não gostar". É cool "não gostar". Não gostar das pessoas, instituições e de todas miudezas que ao de leve nos incomodem. Isso e fazer-se passar por
truth-teller. Fazer-se passar por superior porque não gostamos daquilo que os outros que são carneiros gostam.
Pelos vistos este "não gostar" já é antigo. Apenas explodiu em facilidade de acesso com a internet e mais ainda com as redes sociais.