O futebol por si só não dá lucro, todos os clubes em Portugal estão dependentes da valorização dos seus ativos para continuarem a existir.
Por isso é que projetos que pareciam ambiciosos e bem montados acabam na segunda e terceira liga.
Um grande exemplo disso é o Paços de Ferreira, tinha um projeto bem montado a tocar o top 4, venderam os jogadores diferenciados, os que contrataram para os substituir não renderam desportivamente e portanto não valorizaram, a equipa começou a ficar com orçamentos cada vez mais apertados e agora são equipa de baixo da tabela da segunda liga que anda ali sempre entre a terceira e a segunda.
O Paços não tinha projeto nenhum.
O Paços vivia de uma geração de diretores que foi se retirando por força da idade e os que assumiram olharam para o clube como forma de negócio.
O Paços foi um clube forte enquanto existiram empresários que no seu tempo livre se dedicaram ao clube, pessoal que tinha fábricas e exposições de móveis e perdia dinheiro no futebol e tempo. Quando a idade chegou eles começaram a sair do clube e os que os substituíram foram os advogados, os gestores profissionais que olharam para o clube como meio de fazer fortuna e aquilo descambou. E descambou porque o pessoal que não percebia do futebol, como diziam, tentava contratar por interesse na qualidade dos jogadores, os gestores e advogados contratavam pelo fator comissão, agente X ou Y, ou por interesses menos claros.
O Paços foi o último clube gerido como no anos 90 em Portugal, e foi talvez o que melhor resultou, era um clube muito simples, com poucas condições, mas no dia 2 o dinheiro estava na conta dos jogadores e era fácil de negociar com eles, desde que entrou o Menezes o clube tentou ser algo que não era, nem tinha estrutura para isso e foi ladeira abaixo. O que resta agora é a possível venda do clube pelo valor da dívida.