AOS PORTISTAS/
Já há algum tempo que não lia comentários sobre futebol. Li ontem, à conta do clássico que terminou em empate.
Segue tudo na mesma, isto é, tudo o que se passa no Dragão é crime e condenável — somos tudo isto e mais aquilo — e aos clubes da capital, onde se passa tudo exactamente na mesma, nada se aponta, de tão imaculada e civilizada que é a vida naquelas paragens. Isso, e uma infantilidade sem fim no modo como a maioria dos adeptos vê e comenta lances de futebol.
Para a paz nacional foi uma chatice o FC Porto começar a ganhar, tanto a nível nacional como internacional. A dicotomia Benfica/Sporting, que tão bem assentava num país pacato e de brandos costumes, acabou, tendo as vitórias do FC Porto posto fim a anos de rivalidade entre bairros de Lisboa, a que o resto do país assistia como se fizesse parte do teatro.
Estava tudo bem, e o regime agradecia.
Daí que o FC Porto representa muito mais do que uma cidade, uma região. Representa, e isso sente-se no espírito de todos os portistas de Norte a Sul, um modo de ser e de estar que se agiganta contra toda e qualquer contrariedade, contra um país excessivamente centralista. Isso viu-se de novo na recepção a um rival, onde houve luta, garra, manha.
Podem-nos criticar à vontade — há décadas que estamos habituamos —, mas portistas, não tenhamos dúvidas, se assim não formos, e empregando jargão futebolístico, seremos sempre 'comidos de cebolada'.
Esta época tem que ser nossa, e vamos já prová-lo na viagem à Madeira!