O principal problema é que este formato foi claramente desenhado mais para maximizar entretenimento e receitas do que para garantir equilíbrio competitivo e identidade desportiva. E isto não é um ataque emocional, é uma leitura lógica do que mudou.Claro que este modelo é muito melhor, nem tem comparaçao, todos sao obrigados a ganhar porque nao defrontam a mesma equipa duas vezes e podem jogar contra equipas fortes fora e fracas em casa ou vice versa entao todos os jogos sao importantes, e prova disso é o aumento substancial de golos e de surpresas no formato. O pessoal frustra-se com qualquer merda e ataca tudo
O aumento do número de jogos não responde a uma necessidade desportiva, responde a uma necessidade comercial. Mais jogos significam mais transmissões, mais horários televisivos, mais bilhetes vendidos e mais exposição constante dos clubes grandes, que são os que puxam audiências globais. Isso é entretenimento e negócio, não é equilíbrio. O próprio desenho da fase inicial confirma isso. Em vez de grupos equilibrados e repetidos, tens uma liga enorme onde o objetivo é garantir o maior número possível de confrontos apelativos logo à partida. Grandes contra grandes, históricos contra históricos, independentemente do impacto competitivo real. Isso gera interesse imediato, mas dilui o peso de cada jogo porque há margem para errar.
Desportivamente, o formato antigo obrigava a uma leitura profunda de três rivais. Jogavas duas vezes contra cada um, havia adaptação táctica, memória do erro, resposta no jogo seguinte. Criava identidade, tensão e rivalidade. Cada grupo tinha uma história própria. Agora jogas contra oito equipas diferentes, uma vez só. São jogos isolados, sem continuidade nem narrativa. Ganha-se variedade, mas perde-se contexto. Não há construção de rivalidade, não há evolução do confronto, apenas consumo rápido de jogos. Ao mesmo tempo, ao passares de três para oito adversários, os embates europeus perdem raridade. Clubes que antes só se cruzavam em momentos especiais agora encontram-se com frequência. Isso retira magia ao confronto e torna muito mais difícil passarem muitos anos sem jogar contra determinado adversário, algo que antes alimentava expectativa, memória e peso histórico.
Tudo isto aponta para um modelo pensado para manter o espectador constantemente estimulado e o produto sempre em circulação. Funciona bem como entretenimento, mas sacrifica aquilo que tornava a Champions única. identidade, rivalidade e a sensação de que cada jogo fazia parte de uma história maior, não apenas de um catálogo semanal de grandes jogos.
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