Vendo a coisa duma forma politicamente realista, é claro que os EUA "não podiam" tolerar no seu quintal um grande produtor de petróleo que não fosse controlado por eles. Da mesma forma que a Rússia "não podia tolerar" uma Ucrânia pró-EUA. Do ponto de vista dos interesses económicos e estratégicos dos EUA, faz todo o sentido que o petróleo da Venezuela flua para a América em vez de para China. (O que por outro lado pode fazer com que a China se sinta com carta branca para anexar Taiwan, mas isto já será outra história.)
O mais estranho neste rapto do presidente da Venezuela é que nem parecia ser necessário, uma vez que o Maduro ainda há dias tinha declarado que sim senhor fornecia aos EUA todo o petróleo que Vexas quisessem.
Mas percebo que o Maduro era demasiado socialista para os interesses das petrolíferas americanas e dos geoestrategas de washington, e portanto tinha de sair mais tarde ou mais cedo, como aliás sempre acontece com os inimigos dos interesses americanos. Além de que o Trampas precisava duma "vitória militar", além de política, e como troféu de guerra o pobre do Maduro vem mesmo a calhar. Claramente, o Maduro, como muitos outros antes dele, foi-se meter num jogo geopolítico que está muito acima das suas forças e capacidades, e em resultado desse erro de julgamento vai acabar tão enxovalhado como os Noriegas e os Saddams. Mais valia ter-se matado, que pelo menos morria como herói e mártir da "revolução chavista". Sempre era melhor do que acabar a vida numa prisão americana, depois de ter sido exibido como prisioneiro nos noticiários durante 50000 horas.
E a propósito do golpe, acho impossível que tenha sido levado a cabo sem a cumplicidade de gente próxima do Maduro. A minha wild guess é que alguns generais venezuelanos negociaram com o Trampas e entrega do Maduro.
Quanto ao regime venezuelano, acredito que vai manter-se mais ou menos igual, pelo menos por agora, porque vinte e tal anos de "chavismo" não se mudam dum dia para o outro, mas a liderança política venezuelana vai ser de certeza muito mais receptiva ao investimento americano, e basicamente vai entregar-lhes o controlo da produção petrolífera do país.
Bem vindos à era em que as grandes potências tratam dos seus interesses sem sequer se preocuparem com desculpas.