Todos ou quase todos os países desenvolvidos optaram por um lockdown. Não fazê-lo é que seria um risco enorme. Não te esqueças que a verdadeira dimensão de uma doença completamente nova como esta era e ainda é desconhecida (tanto para o bem como o para o mal).
Quanto ao lockdown não ter suporte científico, estás errado. É um dos princípios básicos da epidemiologia. Desde o início do estudo da epidemiologia como ciência que foi o factor mais estudado e continua a ser definido como uma da formas mais eficazes de combate à epidemias, especialmente contra agentes infecciosos totalmente desconhecidos. E entra hoje em dia em qualquer modelo matemático minimamente decente que estude a evolução das doenças. Pode ser contestado cienticamente por alguns, mas está longe de não ter suporte e muito longe de não ser defendido pela maioria dos epidemiologistas.
Em relação ao resto concordo, o trabalho de sensibilização da população para os comportamentos, que será o factor determinante daqui para a frente, foi negligenciado, ou foi mal divulgado. Mas acho que há tempo para corrigir.
Eu tenho formação em epidemiologia, fiz o EIS do CDC Atlanta por 2 anos.
Mas sempre trabalhei numa área mais programática digamos assim, só vou ao terreno quando existem emergências, catástrofes ou quando é do meu interesse. Família dixit.
Sobre o lockdown ser um princípio básico da epidemiologia concordo e discordo: podes colocar um grupo ou região afetada de quarentena, mas colocar um país de quarentena? Se encontrares uma base científica histórica de lockdowns similares, eu já procurei e não encontro nada.
Mas aconselho te está leitura,
https://www.statnews.com/2020/03/17...e-are-making-decisions-without-reliable-data/
O site é manhoso, mas o senhor merece me alguma credibilidade.
Aguardemos entao uma análise científica sobre os benefícios dos lockdowns nos países desenvolvidos que o aplicaram agora...acho que nós vamos surpreender.
Eu posso te confessar : desde que isto começou a única máscara que utilizei foi para ir mergulhar, há 15 dias, tenho feito uma vida normalíssima, eu a minha mulher e os meus três filhos, tal como todos onde vivo (apesar de algumas restrições impostas pelo Governo), até ver, não há nenhuma catástrofe por aqui. Nem mortos nas ruas, nem hospitais cheios, nada.
Mas repara que a China não aplicou um lockdown total ao país (aliás eu estive lá quando as coisas já não iam bem em Wuhan), nem a maioria dos países de baixos rendimentos (isso do desenvolvido tem mais que se lhe diga) e , curiosamente, a situação não é pior do que nos países onde se aplicou.
E quando se fala de Hong Kong, Singapura, Macau como casos de sucesso...são cidades, não são paises. Se calhar deveríamos ter feito algo semelhante em Portugal (o que seria impopular): porque limitar (se calhar até inconstitucionalmente) o Alentejo ou o Algarve, se não lá há nada de grave? Aliás, se há coisa no Alentejo é distância social.
Aliás, eu recordo me das reações quando o Trump fechou os voos para a Europa: indignação total, mas depois sob pressão dos media foram todos atrás.
Continuo a afirmar: de um ponto de vista técnico e científico, nada valida o que foi feito.
Foi uma decisão política, para agradar as massas e para esconder outras coisas (recordas te das greves dos enfermeiros em 2018, como o Governo do Costa os perseguiu e até diabolizou perante a opinião pública? O setor médico tem sido dos.mais fustigados quer pelo Passos Coelho quer pelo Costa).
Aliás, aplicaram se em muitos países medidas semelhantes as que se aplicaram nas epidemias de peste negra, ou seja, da idade média. 700 anos de saber e conhecimento para nada.