Jorge Amaral analisa, nesta quarta-feira, a situação atual do FC Porto, que obteve mais um resultado dececionante na I Liga, ao empatar (1-1) com o Vitória SC, na 23.ª jornada. O antigo guarda-redes dos dragões, em declarações exclusivas ao Desporto ao Minuto, mantém a sua confiança em Martín Anselmi, apesar dos resultados insatisfatórios.
“Naturalmente, não estou satisfeito, e nenhum adepto do Porto pode estar. Contudo, não se pode responsabilizar apenas o treinador, pois ele herdou uma equipa que foi montada por Vítor Bruno, que iniciou a época, e pela direção. O que posso criticar em Martín Anselmi é a sua precipitação em relação às várias alterações na equipa. Ele chegou a meio da temporada e tenta implementar um sistema de 3x4x3 ou 3x5x2 que não se alinha com a tradição do FC Porto. O mais grave é a falta de jogadores que se adequem a este modelo. O Samu, que vive um péssimo momento, é o único avançado fiável, e o Gonçalo Borges a lateral-direito é digno de um programa de comédia. Embora o treinador tenha boas ideias e princípios de jogo, a falta de qualidade na equipa complica a situação”, critica Jorge Amaral.
Em relação ao jogo contra o Vitória, o atual comentador da CMTV expressa a sua insatisfação com a forma como a equipa azul e branca sofreu o golo, uma vez mais, sublinhando a atuação do técnico Martín Anselmi.
“Ele ainda não percebeu que o FC Porto se baseia em vitórias e títulos, não em goleadas por 5-0. No momento do golo [marcado por Úmaro Embalo], foi o treinador que mandou o Otávio avançar e acabámos por ser penalizados. A equipa tentou a todo o custo o 2-0 e pagou caro por isso. A cinco minutos do fim, em qualquer liga do mundo, e ainda mais na fase que o FC Porto atravessa, ninguém se arrisca. É responsabilidade do treinador passar mensagens de equilíbrio para o campo”, recorda.
Ao avaliar o atual plantel dos dragões, Jorge Amaral expressa a sua preocupação com o desempenho de Rodrigo Mora, o médio-ofensivo português que está a cumprir a sua primeira temporada na equipa principal, com quatro golos e três assistências em 28 jogos.
“Os jogadores criativos não devem ser sobrecarregados com demasiadas instruções táticas, pois isso pode levar à confusão, fazendo-os questionar se devem marcar o médio ou o lateral. O Rodrigo é um jovem de 17 anos e precisa do conforto necessário para se destacar, que é com a bola, criando desiquilíbrios, fazendo passes para golo e rematando… No novo sistema tático, ele parece um pouco perdido em campo”, acrescenta o comentador da CMTV, ligado ao clube azul e branco.
Com o foco apenas na liga, o FC Porto joga este sábado, às 18 horas, em Arouca. A equipa ocupa o 3.º lugar, com 47 pontos, a seis da liderança, que é partilhada entre Benfica e Sporting.