Excelente post, parabéns pela lucidez na análise.Há muito quem fale do “jogo posicional” de Anselmi como se isso, por si só, justificasse tudo: o sistema de três centrais, a saída a 3, a ocupação do corredor central. Fala-se de intenções, de perfil, de modernidade.
Mas quem olha para o que se passa dentro de campo com olhos de ver, percebe que isso não passa de teoria mal executada — ou nem sequer executada.
O FC Porto atual não tem jogo posicional.
Tem uma ideia completamente desconectada do contexto competitivo em que se insere.
Chamar “jogo posicional” a uma equipa que só tenta ligar dois passes a partir de um pontapé de baliza, mas depois vive de ataques rápidos sem critério, é esticar o conceito.
Não há ocupação racional dos espaços.
Não há apoios interiores.
Não há zonas de criação bem definidas.
Há sim: bolas perdidas, meio-campo constantemente em inferioridade, jogadores que não sabem se devem pressionar ou recuar, e um líbero que sobe para o meio...e depois "meu deus" que a equipa perdeu posse.
E quando se perde a bola — o que acontece frequentemente — o que se vê é um campo partido, sem coberturas, sem reação à perda, com jogadores a correr descoordenadamente para trás.
Isto não é um modelo — é uma armadilha tática montada por quem não percebeu o que o seu grupo consegue (ou não) fazer.
Não se trata de dizer que o sistema de 3 centrais é mau.
Claro que se pode ganhar com 3, 4 ou 5 atrás.
Como também se ganhava no tempo do Stoke City do Tony Pulis, que com os lançamentos do Rory Delap, duelos e bolas paradas, fazia tremer adversários superiores no papel.
O que importa é treinar bem, perceber o grupo, e construir a partir do que se tem.
Não é fingir que se joga à moderna só porque se mete um lateral por dentro e o central a abrir.
O futebol não se ganha por perfil.
Ganha-se por competência.
E o FC Porto, neste momento, não está a ser competente em absolutamente nada que esteja sob controlo do treinador.
Queria só acrescentar que com Anselmi vi duas coisas mais absurdas em termos tacticos que lembro de ver:
1 - Ver o Eustáquio na marcação ao Pavlidis e disputar as bolas areeas para o grego, no jogo contra eles em casa
2 - O Otavio a fazer de ala/extremo esquerdo a ir pressionar o lateral adversário e até mesmo a tentar ir à linha cruzar.
Desejo obviamente ao Martin todo o sucesso do mundo enquanto for nosso treinador, mas se acredito que iremos ter sucesso com ele?
A resposta é simples: não. Se ficar cá para o ano, espero que me prove o contrário.
