Não vou entrar na polémica sobre a idade dos atletas dos lagartos. Se estão ali a competir é porque têm documentos que o permite...
Eu também joguei alguns anos, com colegas negros e contra adversários negros... Não tenho dados que o comprovem, é apenas a minha experiência a falar... mas creio que os atletas negros deverão atingir um estado de pré-adolescência mais cedo ou algo do género. Conseguem ter um desenvolvimento físico precoce, e nos primeiros escalões de base isso nota-se imenso. Lembro-me que quando comecei a competir, com uns 9 anos, era um franguinho e tive de me bater com adversários mais fortes, mais agressivos e mais rápidos. Nessas idades a capacidade técnica nem faz grande diferença, porque os jogadores conseguem meter a bola na frente e ganhar na velocidade ou até com um encosto de corpo tiram-te da disputa.
Aos 17/18 anos essas diferenças já não se notam e os rapazes que sempre se superiorizaram pelo porte e valias físicas, acabam por ficar para trás porque nunca se deram ao trabalho de aprimorar a vertente técnica. Nunca precisaram de ser tecnicamente bons, nunca se importaram com isso. Até um dia em que precisam de melhorar mas já é tarde demais.
No meu caso lembro-me bem de ter imensas dificuldades nos sub13/15 com um adversário que defrontava todos os anos... Quando jogava com aquela equipa já sabia o que me esperava. E depois quando fui para o liceu acabamos até por ser colegas de escola, e nos sub17/19 já não tinha problemas nenhuns com ele porque eu também já tinha dado o salto físico, e quando consegues ter velocidade para acompanhar (ou perto disso) e robustez física, não lhes sobra grande coisa.
É um erro as equipas fazerem plantéis unicamente baseados na capacidade física. É também um erro que estes jogadores não tentem aprimorar a capacidade técnica ao longo do anos. Isto é especialmente visível nos PL, e nós temos o caso do Anhá ou tivemos o Sambu (e os rivais também tiveram vários)... São jogadores possantes, fortes, com capacidade física acima da média faziam 30 ou 40 golos a cagar nos esclões de base. Mas não evoluem tecnicamente e depois não conseguem dar o salto dos sub17 para os sub19 ou para os campeonatos profissionais.
Tinha este post guardado, porque é um tema muito interessante!
Para mim, a questão da raça é apenas ilustrativa! Ilustrativa, porque é mais comum suceder em países onde o registo do nascimento é menos criterioso e onde alguns vigaristas se procuram aproveitar dessas lacunas! Nesta altura, já existem testes não invasivos e bastante rigorosos que permitem identificar essas vigarices! Note-se que, nestas idades, há miúdos em estágios muito diferentes, independentemente da idade! É perfeitamente possível teres miúdos que têm um perfil físico de 16/17 anos, que têm 15 e outros com um perfil físico de 13/14 anos, que têm 15... assim, como existem vários estudos que comprovam que a grande maioria das seleções jovens são compostas por miúdos nascidos no primeiro semestre e, sobretudo, nascidos em janeiro!
Mas, esta é a vertente física! Que dá uma grande vantagem competitiva, e que até pode, eventualmente, ser legal, mas não dá o resto!
O resto vem com miúdos que têm mais 3 ou 4 anos! Não é preciso serem muito mais velhos! Esses 3 ou 4 anos, para além, da dimensão física, dão um entendimento do jogo que miúdos mais novos não têm! Eu dou um exemplo: nos sub-15, a maioria das faltas (90% diria eu) táticas (para travar um contra-ataque ou um adversário que ultrapassou o seu defensor) são agarrões ostensivos; ocasionalmente, há aquele pontapé de quem foi ultrapassado, que, muitas vezes, é o amarelo alaranjado; é raríssimo, um miúdo conseguir fazer uma falta em que trava o adversário, sem magoar, nem dar nas vistas (estilo boavista, do jaime pacheco...)! Um miúdo "normal" de 15 anos, não tem malícia suficiente, para fazer a "faltinha" a meio-campo! Com a idade, essas faltas vão aparecendo! Um miúdo mais velho, consegue dominar o meio-campo, com faltas dessas! Entender o jogo dessa forma, não implica um tipo, particularmente, inteligente, ou com uma capacidade física invulgar! Basta, ter essa capacidade para perceber como e quando fazer uma falta!
Ou seja, isto não é só robustez física! O panzo é mais baixo do que muitos dos nossos jogadores! Certo, que é mais forte do que o plantel todo junto... mas o entendimento do jogo, a capacidade de fazer a falta necessária, de empurrar quando ninguém vê... que diabo, de levar palitos ou alfinetes... isso, vem com a idade... e não há técnica que se consiga aprender, porque são miúdos que atingiram o seu patamar de evolução! Acabou ali!
Podem trabalhar muito, mas há um momento em que não dá mais...