Continuo a achar que a melhor forma de expor os erros arbitrais que nos prejudicam não passa por falar mais ou mais alto do que os outros. Passa por desmontar esses mesmos erros com factos, contexto e coerência. Passa por pegar nos lances, compará-los com situações praticamente idênticas ajuizadas de forma diferente e deixar que as imagens, os critérios e as próprias decisões dos árbitros falem por si.Curioso que o lance do penalty que deu o 2º golo do Aston Villa é igualzinho ao do António Silva sobre o Deniz Gül no Dragão...
Também não faria mal nenhum compilar as opiniões dos chamados “especialistas” televisivos e das análises dos jornais, mostrando como, demasiadas vezes, os critérios variam conforme a camisola em campo. O problema não é apenas o erro; é a inconsistência na forma como o erro é analisado, justificado ou simplesmente ignorado.
Só esta semana tivemos mais do que um exemplo claro disso. O penálti não assinalado ao Bayern por mão do João Neves pode e deve ser comparado ao penálti no por mão do Nehuén no Bessa. Ontem tivemos esse penálti para o Villa que referes, num lance perfeitamente comparável ao penálti sobre o Gül. A questão deixa de ser “foi ou não foi” e passa a ser: porque é que lances tão semelhantes recebem interpretações tão diferentes?
Eles nunca nos vão dar, de forma espontânea, a importância ou o respeito devidos. Nunca vão valorizar verdadeiramente as nossas opiniões e vão continuar a relativizar ou a desviar o debate. Por isso mesmo, para mim, a melhor estratégia seria diminuir ao máximo o que dizemos e apenas e só usar as próprias opiniões deles contra os próprios. Usar os critérios dos árbitros nos jogos da Liga e da UEFA, tantas vezes elogiados, e aplicá-los de forma consistente aos vários lances, até que a discrepância na análise se torne demasiado evidente para ser ignorada.