Vou deixar aqui a minha homenagem a Jorge Costa, AVB e Farioli.
"E esse teu ar grave e sério num rosto de cantaria, que nos oculta o mistério dessa luz bela e sombria”. O Porto é campeão. Se querem chorar abracem-me demoradamente e leiam o que a seguir escrevo. É do fundo da alma. Porque hoje é dia 2 e isto é pelo nosso número 2.
Não me lembro de um campeonato assim, com tantas dificuldades, com tantos dramas, com tantas angústias que foram deixando mossa. André Villas Boas nunca quebrou, perdeu Jorge Costa, foi ganhando inimigos e soube estar à altura do cargo que ocupa. Senhor Presidente quero que saiba que tenho um orgulho imenso em tudo o que fez por um clube que estava a dois passos da ruína financeira e ao 2º ano, contra todos os prognósticos, tornou o FC Porto campeão Nacional e líder destacadíssimo nos outros escalões. É isso que preocupa a imprensa centralista, como é possível em tão pouco tempo toda esta inversão de marcha? É isso que os atormenta, aquela geração de vermelhos e verdes que cresceu a ver o Porto ganhar tudo, gerindo frustração em cima de frustração. É essa geração que hoje respira contra o Porto e se alimenta das mais variadas e sujas estratégias para tentar destabilizar. Estão assustados, e isso ficou bem visível naquela conferência de imprensa do Sr. Varandas completamente alterado e descompensado. A tudo isso o André resistiu, de pé, sem pestanejar, sem se sentar uma única vez, tal como fez no funeral de Jorge Costa.
E agora, Farioli. Francesco Farioli. Mister, se por acaso chegar a ler isto, acredite que nunca tive nenhuma dúvida da sua competência. Nunca vacilei. Empolgou-me com o Vitória na noite que homenageamos o Jorge. Deixou-me extasiado com a vitória enorme alcançada em Alvalade. Perdeste o Luuk e depois o Samu, mas não perdeste a fé nem o carisma. E com o andor bem seguro aos viscondes parecia que o mundo tinha acabado ao minuto 98 do jogo com o Famalicão. Mas com o FC Porto não. Era expectável que o sol nascesse de novo no dia seguinte e todos confiávamos que o mister saberia como unir o grupo. Eram semanas após semanas com o fantasma do ajax a ser recordado por tudo e todos e o mister a ser bombardeado pela imprensa com esse tema. A forma como fez o grupo acreditar na ideia e ver os rostos de alegria de cada um deles em campo é algo de extraordinário. “Nas ruelas, nas calçadas, da ribeira até à Foz”, todos estamos orgulhosos de si mister. Sentimos desde cedo o quão especial eras Francesco. E em Braga na noite de Fofana, contra tudo e todos, ergueste os braços para a bancada e todos sentimos a mesma coisa. Sim, também fui importante, sim também eu contribuí para este momento. A família Portista!
E agora que ganhamos o campeonato mais difícil da nossa história ergamos todos os braços ali de pé de bandeira no ar olhando o Jorge Costa bem lá no alto. Foi para ti capitão. E pronto, deixem lá as lágrimas caírem. Não tem mal. Fiquem de pé, o tempo que precisarem, olhando o céu, como o André. Porque o FC Porto não é só um clube, é um sentimento. Quem não entender isso não pertence à nossa família.