Neutral=Não ser membro da NATO.
Isso já não era antes de ser atacada e continua a não ser. E sempre houve uma enorme relutância em fazer da Ucrânia um membro da NATO e da UE antes e até agora. Esse argumentário não tem ponta por onde se lhe pegue. Quanto muito teria o oposto - se não deveríamos ter feito uma adesão da Ucrânia antes para inibir o Putin de se lançar para esta tragédia.
Eu entendo quem queira a paz e quem queira fazer este raciocínio lógico: não é bonito, não é ético mas vamos tentar ver onde se pode fazer um acordo para salvar vidas mesmo que isso signifique ceder algum território porque um pedaço de terra não vale milhares de vidas humanas. Eu entendo, eu verdadeiramente entendo. Eu já dei mil voltas à minha cabeça para tentar engendrar um partição de território e um acordo político em que conseguíssemos simultaneamente que a Ucrânia tivesse da parte da Russia alguma compensação pelo que perdeu e a Russia conseguisse sair disto de forma relativamente airosa. Mas não há.
Não há porque o leitmotiv do ataque não são questões de segurança por parte da Russia (quando é que algum dia Ucrânia quereria lançar-se num ataque suicida contra uma potência nuclear??) e não são terras raras, cereais ou outras teorias absurdas de quem gosta de "gamezificar" os conflitos. O motivo é simples, se por acaso os ucranianos de hoje para amanhã começassem a ter visivelmente melhor qualidade de vida que os russos tendo uma democracia "pró-ocidental" isso colocaria uma enorme pressão interna nas elites políticas russas. Eu sei que os países do Báltico já estão nessa situação mas tanto eles como a Finlândia tem uma população diminuta ao passo que a Ucrânia é um país enorme e uma fatia muito significativa dos mais de 45M de ucranianos têm fortíssimos laços culturais e até de sangue com a população russa junto à fronteira e não só. Quer do ponto de vista emocional e de orgulho quer dum ponto de vista de auto sobrevivência o Putin jamais poderia tolerar uma Ucrânia próspera a não ser que tenha um chefe de estado tipo Lukashenko.
A Ucrânia cedesse o que cedesse dum ponto de vista de território, alianças económicas, alianças militares, etc só satisfaria o Putin no dia em que a legítima vontade expressada livremente em voto pelos ucranianos só fosse válida à condição do incomodo que isso criasse a um ditador estrangeiro. Desculpa mas isto não é negociável e nunca será dês as voltas que quiseres.
É o Putin que se quiser paz terá que recuar ordeiramente. Não é a Ucrânia que, enquanto tiverem forças, têm agora que escolher entre a paz e a sua própria liberdade. Os Ucranianos saberão de si e só eles saberão até onde conseguem sofrer. Mas enquanto quiserem e tiverem forças para lutar o único caminho é apoiar.