Ganhámos, mas é mais uma vez inegável que o futebol apresentado tem sido pouco entusiasmante. Ainda assim, convém olhar para o contexto antes de cair em críticas fáceis. Grande parte desta quebra exibicional explica se não só pela quantidade, mas também pela natureza das lesões. Estamos sem o Martim a DD, o Nehuén a DC, o Kiwior a DC ou DE, o Francisco Moura a DE, e o Luuk de Jong e o Samu a PL. Não é apenas o número que pesa, é também o facto de muitas dessas ausências incidirem nas mesmas posições, o que obrigou o Farioli a recorrer a jogadores que, em condições normais, seriam terceiras opções. Casos do Gül a PL ou do Zaidu a DE.
A isto soma-se outro fator essencial, já imensamente discutido. Esta é uma equipa nova, com um treinador novo, construída no verão passado, onde mais de metade do plantel actual chegou desde julho. É perfeitamente normal que, sendo ainda uma equipa em construção e sem rotinas plenamente consolidadas, as lesões tenham um impacto ainda maior no rendimento. Quando somos forçados a uma reconstrução constante em plena competição, qualquer tentativa de evolução sustentada torna se muito mais difícil. Nesse enquadramento, conseguir manter estabilidade competitiva, especialmente depois de duas jornadas sem vencer e num campo difícil, era o mínimo exigível e foi conseguido. Até ao final da época, a realidade será esta, vamos ter de saber viver com um futebol menos atrativo, concentrando esforços no que a equipa tem mostrado ter de melhor neste momento, a consistência defensiva.
Há aqui um ponto importante. Cobrar mais ao ataque não pode ser o mesmo que cobrar demasiado. Exigir produção ofensiva muito acima do actual, sem as peças chave, ao ponto de desmontar o equilíbrio defensivo, seria um erro grave. A aposta, muitas vezes pedida, de ter o Gabri e o Mora ao mesmo tempo para desbloquear o jogo ofensivo enquadra se precisamente nesta discussão. Já vimos no passado recente onde isso leva, resultados terríveis e perda de confiança coletiva. Neste momento, pragmatismo não é falta de ambição, é inteligência competitiva. Quando o plantel estiver mais completo e as dinâmicas mais trabalhadas, aí sim fará sentido exigir outro tipo de futebol. Até lá, o foco tem de ser ganhar, competir e proteger a base da equipa.