Doeu ter perdido ontem. Ainda mais quando o próximo jogo é contra quem é e sabemos que, se voltarmos a perder, ficamos apenas a um ponto e deitamos fora, em duas jornadas, uma vantagem construída com tanto esforço. Há coisas a melhorar nesta equipa, isso é inegável. Houve erros claros de análise, escolhas técnicas discutíveis e decisões que podem e devem ser criticadas. A crítica faz parte do jogo. Quando há razões para isso, não só podemos como devemos fazê-lo.
Mas também temos de ter noção do contexto em que estamos. Vai andar o país inteiro a puxar-nos para baixo, a apontar 1001 razões pelas quais agora é que isto vai por aí abaixo. Andavam desde agosto à espera disto. Estão ansiosos. Cheiram sangue. E é precisamente por isso que temos de ter cuidado para não deixar que esse clima, que a comunicação social vai alimentar até à exaustão, nos afecte enquanto adeptos e enquanto críticos da nossa própria equipa. As críticas que devemos fazer são as nossas. Não são as deles. Não são feitas para validar narrativas externas nem para alinhar com cartilhas que vivem da antecipação da queda. Falando especificamente do Farioli, as críticas vão andar muito na onda de recuperar o que aconteceu nos anos dele no Nice e no Ajax, como se isso fosse um carimbo eterno. Vão fazê-lo sem considerar as enormes diferenças de contexto, de ambição, de qualidade dos plantéis, nem a evolução natural de um treinador, do seu modelo, da sua leitura do jogo e da sua gestão de grupo. Esse tipo de análise não é só injusto. É redutor, preguiçoso, quadrado e profundamente pouco perspicaz. Revela mais sobre quem a faz do que sobre quem é alvo dela.
Para mim, mais importante do que o que aconteceu ontem é a forma como a equipa vai reagir na próxima segunda-feira. E mais importante do que criticar por criticar é saber separar a crítica legítima, aquela que considera contexto, trajecto, margem de evolução e responsabilidade real, do ruído amplificado por quem sempre quis que isto corresse mal. Nada disto é o fim do mundo, por muito que a cartilha o vá pintar como tal. Continuamos a depender apenas de nós, equipa, treinador e adeptos. Se formos capazes de manter lucidez, exigência e união, as coisas podem e devem melhorar o suficiente para que, em maio, nos possamos ver todos nos Aliados.
Tudo o resto é ruído.