Última atividade de BlueDragon

  • BlueDragon
    Liga Portugal Betclic 25/26; 25ªJ: SL Benfica vs FC Porto 2-2
    Nos últimos anos habituei-me a ver o futebol de uma forma muito própria. Não olho apenas para a bola ou para o resultado. Gosto de tentar perceber o que se passa por trás do jogo: as reações depois de uma jogada falhada, a forma como os jogadores comunicam entre si, as conferencias, os sinais quase invisíveis que revelam confiança, nervosismo ou liderança dentro de campo.
    É uma forma de tentar ler a equipa para lá do que aparece no marcador.
    Talvez por isso este FC Porto me esteja a provocar uma sensação estranha. Daquelas que, confesso, me deixam inquieto. Não é frustração, nem propriamente desilusão. É algo mais difícil de explicar: uma dúvida persistente.
    E para quem está habituado a olhar para o Porto com convicções muito claras, gostar ou não gostar, acreditar ou criticar, viver nesse território de incerteza torna-se quase desconfortável.
    Também não entro na crítica fácil que hoje se tornou tão comum. Há quem já tenha decidido que, do meio-campo para a frente, quase ninguém serve. Sinceramente, não consigo ir por aí. Já vimos estes jogadores mostrar qualidade suficiente para saber que ela existe. Ninguém desaprende a jogar futebol de um dia para o outro.
    E olhando com atenção, também não vejo uma equipa abandonada ao acaso. Há sinais de trabalho, organização, tentativa de construção. Percebe-se que existe uma ideia por trás do que o treinador procura fazer.
    Talvez seja precisamente aí que mora o verdadeiro desafio. O FC Porto não é um clube que entra em campo apenas para competir com dignidade. No campeonato português, historicamente, o Porto não é o peixe pequeno que tenta sobreviver entre gigantes, é um dos tubarões.
    E talvez seja por isso que, às vezes, fico com a sensação de que falta apenas um pequeno desbloqueio mental. Aquela libertação que permite a uma equipa jogar mais para ganhar do que para não perder. Arriscar mais na procura do golo, mesmo sabendo que isso pode abrir espaço para sofrer também.
    Tento, no entanto, colocar-me também no lugar do treinador. O passado recente da sua carreira não foi propriamente simples, e isso inevitavelmente marca a forma como alguém encara as decisões dentro de campo. Talvez exista uma prudência maior do que aquela a que estamos habituados no clube.
    E por isso dou por mim a pensar numa possibilidade curiosa: talvez uma grande vitória neste primeiro ano possa ser exatamente o que falta. Não apenas pelo troféu em si, mas pela confiança que pode trazer. A confiança necessária para, no futuro, olhar para os jogos com mais ousadia e montar a equipa com uma coragem diferente, uma coragem que a qualidade destes jogadores assim permite, e que eles merecem, para voltarem a jogar com brilho nos olhos.
    Mas mesmo com essa exigência natural, há algo que também me trava na crítica. Olhando para fora, sinto que há honestidade no esforço. Parece-me um treinador à procura de soluções, a tentar melhorar a equipa. E quando alguém está a dar o melhor que sabe e pode… também me pergunto até que ponto temos o direito de julgar com tanta facilidade.
    Mas, ao mesmo tempo, há muitos jogos em que algo fica por desbloquear.
    Entro sempre com aquela expectativa típica de quem acredita nesta equipa e conhece o Porto: a ideia de que a qualquer momento a equipa vai soltar-se e transformar o jogo. Que vai aparecer aquela intensidade, aquela personalidade coletiva que no inicio da temporada fez do Porto uma equipa difícil de parar e bonita de se ver.
    E depois o jogo passa… e essa explosão raramente aparece e é substituída pelo sono.
    O curioso é que isto torna tudo mais difícil de avaliar. Porque quando uma equipa joga mal, a crítica é fácil. Quando joga de forma brilhante, o elogio também. Mas quando vive num território intermédio, onde há competência mas nem sempre emoção, a análise torna-se bem mais desconfortável.
    E é aqui que me lembro de duas coisas que me fazem travar antes de tirar conclusões apressadas.
    Uma delas é uma reflexão do Quaresma sobre o futebol moderno. Ele há uns tempos atras dizia que o jogo está cada vez mais controlado pelos treinadores, pelos sistemas e pelos equilíbrios coletivos. Os artistas continuam lá… mas já não têm a mesma liberdade para transformar um jogo num espetáculo.
    A outra é um exercício de memória pessoal. Critiquei bastante o futebol de Vítor Pereira, lembram-se? Achava-o demasiado calculado, demasiado previsível, e com um futebol chato e medroso… Alguém tambem? Mas só mais tarde percebi que, no meio dessa crítica, talvez tenha subestimado o valor de ganhar de forma consistente… E arrependi-me bastante nos anos seguintes, então eu sempre tenho isso bem presente na minha vida pessoal, profissional e como não podia deixar de ser, nos meus comentarios aqui no BOF.
    E talvez seja isso que hoje me faz olhar para este Porto com mais prudência.
    Porque há algo curioso nesta equipa: por um lado, nem sempre entusiasma. Por outro, continua a cumprir.
    Talvez seja apenas uma fase.
    Talvez seja o futebol moderno.
    Ou talvez seja apenas uma equipa que ainda está à procura da confiança necessária para mostrar a sua melhor versão.
    A verdade é que, pela primeira vez em muito tempo, dou por mim sem uma conclusão clara sobre o Porto que estou a ver.
    E confesso que, para alguém que sempre viveu o clube com certezas muito fortes… isso é uma sensação estranhamente nova.
    BOF_Abraços
    Ricardo Amorim
    • Like
    Reações: Shark e apocalypto
  • BlueDragon
    É o que vai acontecer para o ano
  • BlueDragon
    Liga Portugal Betclic 25/26; 25ªJ: SL Benfica vs FC Porto 2-2
    Há empates que sabem a empate.
    E há empates que sabem a derrota.
    O que aconteceu ontem na Luz pertence claramente à segunda categoria. Não porque o Benfica tenha sido superior durante todo o jogo, não porque fomos esmagados, não porque fomos incapazes de competir. Nada disso. O que deixa um sabor tão amargo é perceber que, mais uma vez, **perdemos pontos por demérito nosso**.
    E isso já tinha acontecido há pouco tempo.
    Contra o Sporting, um penálti, no mínimo idiota, no último segundo tirou-nos dois pontos que pareciam seguros. Na altura escrevi aqui algo que continuo a acreditar: o problema não foi o erro em si. O penálti foi um lance. No futebol, erros acontecem. O verdadeiro teste é sempre a forma como reagimos depois.
    Mas há uma diferença grande entre cometer um erro… e insistir nele.
    O caso de Moura acaba por simbolizar um pouco isso. Na altura, achei exagerado o ataque que lhe fizeram. Um jogador jovem não pode ser crucificado por um lance. O futebol está cheio de erros decisivos, até dos maiores. Mas também é verdade que há coisas que o adepto vê… e espera que quem está dentro veja ainda melhor.
    Nem sempre o talento se mede apenas no pé. Muitas vezes mede-se na cabeça. Na forma como se lida com pressão, com contexto, com responsabilidade. E a verdade é que, neste momento, é difícil defender que o Moura tenha condições para continuar a vestir a camisola do FC Porto. Não digo isto com prazer, nem com vontade de apontar culpados fáceis. Digo-o porque o futebol também exige lucidez e clareza.
    E é aqui que entra algo que me custa bastante a entender.
    Temos um treinador que, em muitas situações, demonstra um pragmatismo absoluto. Basta ver a forma como gere jogadores com cartão amarelo: quase sempre ele opta por substitui-los, estejam a fazer um grande jogo ou não. É uma gestão de risco clara, quase mecânica, que faz parte da forma como ele olha para o futebol. Confesso que nem sempre concordo com este tipo de padrão rígido, porque para mim o jogo também vive de contexto e de momentos, mas consigo compreender a lógica e, acima de tudo, respeitá-la.
    Mas depois surgem decisões que parecem fugir a essa mesma lógica.
    Se já vimos o treinador colocar Kiwior à esquerda para permitir que Thiago Silva fosse titular no centro da defesa, então é legítimo perguntar: numa fase tão decisiva do campeonato, porque se assume um risco destes? Porque se insiste em colocar Moura numa situação que já tinha dado sinais claros de fragilidade?
    Onde ficou o pragmatismo que tantas vezes vimos noutras decisões? Porque aqui pareceu surgir outra lógica, quase como se houvesse a necessidade de demonstrar que o elo mais fraco tem de ser protegido a todo o custo.
    E confesso que isto às vezes me faz lembrar um fenómeno que vemos cada vez mais fora do futebol: uma pressão social crescente para que determinadas ideias sejam aceites quase por obrigação, como se apoiar minorias ou quem está mais frágil tivesse de acontecer independentemente do contexto ou das consequências. Eu percebo a intenção, e em outras situações, até podia concordar com o principio de que ninguém deve ser abandonado, mas há momentos em que essa lógica simplesmente não faz sentido.
    Num clube como o FC Porto, proteger um jogador não pode significar expor a equipa inteira. E muito menos fazê-lo num momento que pode decidir um campeonato. Basta olhar para o resultado final e perguntar algo simples: alguém acredita que o Moura saiu reforçado do jogo de ontem?
    No Porto sempre houve uma regra clara. Aqui não podem existir quotas e muito menos lugares protegidos. Aqui joga quem está preparado, quem aguenta a pressão e quem demonstra competência. Sempre foi assim que o clube construiu a sua identidade.
    Não é uma crítica feita de raiva. É uma dúvida sincera. Porque são decisões assim que acabam por influenciar momentos que podem decidir uma época inteira.
    E é isso que mais custa neste momento.
    Podíamos estar aqui hoje a falar de um campeonato praticamente fechado. Podíamos estar a celebrar um passo gigantesco rumo ao título. Em vez disso, demos algo que os nossos adversários não tinham: **esperança**.
    Eles ganham motivação. Nós perdemos tranquilidade.
    E isso acontece com uma equipa que continua a ser… difícil de explicar.
    Este Porto não joga mal. Mas também não joga bem. Há momentos em que vemos qualidade clara, jogadores com capacidade, ideias que fazem sentido. E depois, de repente, parece que a bola pesa. Como se queimasse nos pés dos jogadores. Como se a confiança tivesse desaparecido, ou que a vontade de jogar tivesse desaparecido. Não acredito que seja falta de qualidade, porque muitos destes jogadores já demonstraram o contrário. Por isso mesmo é que tudo isto se torna ainda mais estranho…. Mas isso fica para outro texto.
    Mas nem tudo foi negativo ontem.
    Há jogadores que continuam a fazer um trabalho ingrato e pouco reconhecido. Pepê é um deles. Para muitos adeptos continua a ser um patinho feio, mas quem olha para o jogo com atenção percebe a importância do que ele faz sem bola. Posicionamento, coberturas, cortes em jogadas perigosíssimas… em praticamente todos os jogos há duas ou três situações em que ele aparece para fechar um lance que podia perfeitamente acabar em golo.
    E aqui está um dos grandes paradoxos do futebol: quando alguém marca um golo, toda a gente celebra algo concreto, visível, indiscutível. Mas quando um jogador faz um corte destes, ninguém sabe se dali nasceria realmente um golo adversário. O mérito fica invisível. Não há replay emocional para festejar o que não aconteceu.
    E quando esse jogador é um avançado, a injustiça ainda é maior. Porque se não marca, rapidamente surgem críticas. Muitos dos que criticam nem param para pensar se aquele jogador está a cumprir exatamente aquilo que o treinador lhe pede, ou se é peça importante na forma como a equipa se organiza sem bola. Esse tipo de trabalho raramente aparece nos resumos, mas muitas vezes é ele que evita problemas muito maiores.
    E depois ainda tem outro ponto do jogo de ontem que tenho que trazer aqui, porque se trata de um momento que faz-nos lembrar porque é que o futebol é magico e move multidões.
    O golo do “miúdo” Oskar é um desses momentos. Não é apenas a execução técnica. É o contexto: Estádio adversário, mais de 60 mil pessoas nas bancadas, um jogo que podia encaminhar o campeonato, frente a um defesa campeão do mundo e capitão do eterno rival. E mesmo assim ele arrisca. Arrisca fazer algo que muitos ali talvez já não tivessem a coragem de tentar.
    E isso também nos obriga a lembrar que esta equipa começou o campeonato com essa mesma coragem. Havia jogadores a arriscar, a assumir o jogo, a tentar coisas diferentes, e dessa ousadia nasceram boas jogadas e alguns golos muito bonitos. Mas com o passar das jornadas essa irreverência parece ter desaparecido. Como se a pressão do momento, ou talvez alguma orientação vinda de fora do campo, tivesse ido roubando confiança semana após semana.
    Por isso o gesto do Oskar diz mais do que apenas um golo bonito. Mostra que a vontade e coragem de ser melhor, é recompensada. A pergunta agora é outra: essa coragem vai crescer dentro da equipa… ou daqui a uns meses estaremos a falar dele como hoje falamos de Borja ou de William, jogadores que começaram cheios de ousadia e acabaram engolidos pela mesma falta de confiança que hoje parece contaminar o grupo?
    É preciso personalidade para fazer aquilo que ele fez. E ontem, naquele momento, o miúdo mostrou que a tem.
    Também é justo dizer que o Benfica fez um jogo digno. Talvez pela primeira vez esta época senti um Benfica que realmente quis ganhar. E quando duas equipas entram assim em campo, quem paga bilhete acaba por ver um espetáculo melhor.
    Mas no fim, o que fica é outra sensação.
    A de que o maior adversário do FC Porto, neste momento, não está em Lisboa… está dentro da própria equipa.
    BOF_Abraços
    Ricardo Amorim
  • BlueDragon
    Liga Portugal Betclic 25/26; 23°J: FC Porto vs Rio Ave FC 1-0
    Não estás a ganhar? Não estás em primeiro?

    Queres o quê? Que a UEFA te atire a taça da Liga Europa de Helicóptero? Que o Seguro te dê a Taça de Portugal já?

    Caralho meu, acalmem o pito.
    Estou em primeiro sim.... a questão é que a jogar assim, não estaremos em primeiro quando mais interessa estar!
    • Like
    Reações: nunex75
  • BlueDragon
    Liga Portugal Betclic 25/26; 23°J: FC Porto vs Rio Ave FC 1-0
    Fico contente em ganhar nem que seja por meio a zero com uma equipa em reconstrução.
    Vocês são uns chatos do caralho, sempre com choradinhos, com os "a galinha da vizinha é melhor que a minha" e o diabo a quatro.

    Não têm nada de interessante para dizer calem-se, foda-se
    Contentas-te com muito pouco!
    Eu quero que se foda a galinha da vizinha. Quero é que a minha ponha ovos e não cague tanto!
  • BlueDragon
    Liga Portugal Betclic 25/26; 23°J: FC Porto vs Rio Ave FC 1-0
    Preferes o do Anselmi?
    Ficas contente com o Mau porque tiveste o Péssimo?
    • Like
    Reações: Psantos123
  • BlueDragon
    Liga Portugal Betclic 25/26; 23°J: FC Porto vs Rio Ave FC 1-0
    Mortinho para que a época acabe e as carpideiras se calem. Falta muito para o Mundial?
    Este futebol defensivo não é de ir às lágrimas?
    Fosgasse!
  • BlueDragon
    Liga Portugal Betclic 25/26; 23°J: FC Porto vs Rio Ave FC 1-0
    Este futebol de merda dá uma esperança do caralho qdo formos aos lamps e aos braguinhas.
    Vamos defender com 11 jogadores dentro da nossa area!
  • BlueDragon
    Liga Portugal Betclic 25/26; 23°J: FC Porto vs Rio Ave FC 1-0
    Acho muito bem que assobiem o Treinador! Ele tem de perceber que não somos mum Salgueiros!

    Estas tacticas defensivas são para clubes da segunda metade da tabela e não para um PORTO!
  • BlueDragon
    Os assobios são para o treinador.
  • BlueDragon
    Liga Portugal Betclic 25/26; 23°J: FC Porto vs Rio Ave FC 1-0
    Estão mesmo a ajudar com os assobios, parabéns.
    Não entendo... Mas querem aplausos para esta MERDA?
  • BlueDragon
    Não há um fdp de um jogo que se consiga ver sem perder 10 anos de vida... Há jogos que estamos mal, outros estamos bem mas é a bruxa...
  • BlueDragon
    Liga Portugal Betclic 25/26; 23°J: FC Porto vs Rio Ave FC 1-0
    Substituições já a pensar em recuar a equipa e defender o 1-0 como equipinha pequena!
  • BlueDragon
    Liga Portugal Betclic 25/26; 22ªJ: CD Nacional vs FC Porto 0-1
    Estou muito feliz porque estamos em primeiro com 4 pontos de vantagem sobre o segundo, estamos nos oitavos da liga europa e na semi final da taça…
    Estamos todos. Mas enquanto uns olham mais para a frente, outros têm orgasmos com esta total ausencia de futebol.