Não faz sentido que a Taça não seja entregue no jogo em que se conquista matematicamente o título.
Acho muito bem que o clube decida fazer uma verdadeira festa, organizada por si, eventualmente nos Aliados, apenas no final do campeonato. Há várias razões para isso: permite a descompressão total do plantel depois da pressão competitiva, dá tempo para preparar algo mais marcante e bem organizado, garante melhores condições de segurança para adeptos e equipa, facilita a logística de um evento dessa dimensão e torna possível criar uma celebração à altura da conquista, em vez de algo apressado e improvisado.
Mas a entrega da Taça é outra questão. Trata-se de uma cerimónia oficial da responsabilidade da Liga, não pode depender de uma decisão ou da vontade de um clube. E essa cerimónia deve acontecer no momento em que o título é conquistado, porque é aí que os jogadores merecem levantar o troféu e celebrar esse instante único no relvado, com os adeptos que testemunharam esse momento presentes.
Em relação ao ponto do regulamento que O Jogo transcreve, é francamente deficiente e desnecessariamente ambíguo. Ao afirmar que o troféu será entregue “ao clube que se sagre campeão da competição no seu Estádio”, a frase deixa espaço para uma interpretação errada de que a cerimónia oficial só acontece se o título for confirmado em casa, ou pelo menos não esclarece o que sucede quando o campeão é decidido fora de casa, especialmente na última jornada. Falta clareza, pontuação e precisão jurídica num tema que devia ser simples e inequívoco. Num regulamento oficial, não pode haver margem para dúvidas sobre algo tão básico como o momento e o local de entrega do troféu de campeão.
A Taça deveria ser sempre entregue no final do jogo em que a equipa se sagre campeã. Não deveria haver qualquer dúvida sobre isso. Se tivemos alguma responsabilidade na decisão de, caso ganhemos no sábado, não termos a Taça entregue no final do jogo, estivemos francamente mal e, de certa forma, até encaro isso como um desrespeito pelos adeptos que fizeram por estar presentes e não podem ver a equipa a levantar o troféu. Até porque este não é um assunto em que se esteja a abrir a porta a críticas de “andar a festejar antes do tempo” ou de “contar com a vitória antes de ela acontecer”. Tem de ser encarado como uma simples questão regulamentar: a Liga limita-se a cumprir aquilo que está previsto, exatamente da mesma forma que o faria se o possível campeão fosse qualquer outro clube. Se uma equipa pode sagrar-se campeã nesse jogo, a Taça tem de estar presente. Não precisa de ser publicitado em excesso, anunciado com pompa, transformado em manchetes ou tratado como um espetáculo antecipado. Tem simplesmente de estar lá, porque faz parte da normalidade competitiva e do respeito pelo próprio significado de ser campeão.