Pouco se tem falado do trabalho que Farioli tem vindo a desenvolver no FCP, revolucionando exibições e resultados face à época passada.
A transformação foi tão rápida quanto notável: bastou uma pré-época para lançar as bases de um campeonato em que o FCP assumiu a liderança desde a 4.ª jornada e nela se mantém até hoje, com uma vantagem sólida — realisticamente de 5 pontos — sobre o segundo classificado.
A presente época tem poucas semelhanças com a era Villas-Boas ou com o primeiro campeonato de Sérgio Conceição. Em muitos aspetos, aproxima-se mais do impacto inicial de Mourinho no FCP.
Não falo, obviamente, de conquistas — Mourinho foi um caso singular no FCP e no futebol mundial, um predestinado, com uma formação privilegiada ao lado de algumas das maiores referências do jogo e em contextos desportivos de excelência. Falo, sim, da capacidade de entrar num clube fragilizado financeira e emocionalmente, marcado por convulsões internas, desunião e um evidente desgaste coletivo, e, com recursos limitados — apesar de algumas contratações relevantes — construir uma equipa competitiva, com identidade clara, futebol taticamente moderno, organização coletiva, intensidade física assinalável e uma mentalidade claramente vencedora.
E esta leitura não depende sequer da conquista do campeonato. Porque o FCP foi competitivo em todas as competições em que participou até ao momento, mesmo nas eliminações, algo que parecia impensável no rescaldo da época passada.
Esse é, talvez, o maior mérito de Farioli: devolver ao FCP competitividade, ambição e a convicção de que voltou a ser uma equipa preparada para discutir tudo até ao fim.
E é um privilégio podermos vir a contar com Farioli para a próxima época…