Não tenho lido ninguém a dizer que não jogamos nada, acho que as maiores críticas foram em alguns jogos menos conseguidos, como é normal pois treinador nenhum é perfeito e não são eles quem joga a bola.
O que eu acho é que se acham que o Porto jogou bem contra o Benfica, estando em casa e com todo o plantel disponível (os jogadores que realmente contam, pelo menos), acho que se pedia mais.
Não quero estar a bater na mesma tecla nem a falar de "ses", mas tenho a certeza absoluta que se o Pavlidis não falha aquele golo cantado, a opinião de quem acha que jogamos bem seria completamente oposta.
Este fórum peca pelos excessos e pela polarização. Uns acham que jogamos sempre bem, outros acham que jogamos sempre mal.
Eu acho que jogamos maioritariamente bem e que em alguns jogos, como é normal, jogamos menos bem.
E isso vê-se bem nas pontuações que o pessoal dá aos jogadores, que dependem muito do resultado do jogo.
Se ganhámos, mesmo que não joguemos muito, quase todos os jogadores levam pontuações de 7 ou 8 mesmo que não tenham jogado muito.
Pelo contrário, quando não ganhámos (na Liga Europa aconteceu várias vezes), até jogadores que jogaram bem levam notas de 5 ou 4.
Pessoalmente eu esperava mais do que o que vi durante demasiado tempo no jogo em casa e não tem a ver com passar muito tempo a defender ou não, mas antes porque estivemos quase sempre mal a sair a jogar, no último passe, a rematar à baliza e continuo sem perceber porque é que, principalmente na primeira parte, andamos a passeara a bola entre o Diogo e os centrais e laterais, para, em grande parte dos casos, lhes darmos a bola.
Não gosto nem acho normal.
O Farioli não está imune à crítica mas parece que há aqui pessoal que acha que sim.
A época que está a fazer está a ser estrondosa, principalmente pelos resultados, e esse mérito ninguém lhe tira.
Mas não atirem pedras a quem não gostar quando jogarmos em casa e falharmos tantos passes e remates, com a sensação que a qualquer altura o 5LB podia marcar.
Percebo o teu ponto, mas acho que há aí algumas premissas que não se sustentam quando olhamos para o jogo com algum distanciamento.
Primeiro, a ideia de que “se pedia mais” apenas porque jogámos em casa ignora completamente o tipo de jogo e o contexto competitivo. O Lisbonera marcou presença no Dragão com o plantel mais caro do campeonato, um treinador ultra-experiente e um plano muito claro, na única competição onde apenas dependiam deles mesmo, provavelmente a única que poderia "salvar" a época. Não é por terem sofrido cedo que automaticamente se iam abrir de forma suicida.
Depois, o argumento do “se o Pavlidis marca, a opinião seria outra” é precisamente o problema. Isso é análise retroativa baseada num lance isolado. O futebol não se analisa pelo “se”. Se formos por aí, também podemos dizer que se o Porto concretiza uma das três situações claras após o 1-0, o jogo fica resolvido aos 30 minutos e a discussão nem existia. O que conta é o todo, não um lance falhado. E o todo mostra um Lisbonera com dificuldade em criar, e um Porto que controlou o jogo sem bola.
Quanto à saída de bola, convém distinguir opção estratégica de incapacidade. O Porto não estava a “passear a bola” por falta de ideias, estava a recusar acelerar quando isso beneficiava o adversário. Circular atrás para atrair pressão e depois decidir não forçar o passe é, muitas vezes, melhor do que arriscar perdas em zonas onde eles queriam transitar. Preferir perder a bola longa ou lateralmente do que no corredor central também é controlo, mesmo que não seja bonito.
Dizer que “não é normal” trocar bola entre guarda-redes, centrais e laterais é aplicar um critério estético a um jogo que foi claramente de gestão competitiva. Não estávamos a tentar encantar ninguém, estávamos a ganhar um clássico a eliminar. São coisas diferentes.
Sobre o Farioli, ninguém o coloca num pedestal intocável. Mas também não faz sentido relativizar uma época que está a ser objetivamente muito boa, com consistência, solidez defensiva e resultados. Criticar detalhes é legítimo, usar esses detalhes para desvalorizar uma vitória controlada contra um rival direto, não me parece justo.
Por fim, a sensação de que “a qualquer momento o Lisbonera podia marcar” não bate certo com os dados nem com o jogo jogado. Criaram pouco, remataram pouco enquadrado, raramente nos encostaram à área com continuidade. Houve tensão, claro, é um clássico nos quartos da Taça, mas isso não é o mesmo que descontrolo.
Querer mais é legítimo. Ambição é o sinônimo de FC Porto. Com tempo, trabalho e um plantel mais "rico", acho que vamos ter "armas" para mais.
Dizer que foi curto ou insuficiente, para mim, já não acompanha o que o jogo realmente foi.